Postes de operadora são alvo de críticas em Divinópolis

Ricardo Welbert 

Após operadoras de internet e telefonia acusarem a Vivo de cortar vários dos seus cabos em Divinópolis, um representante da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint) esteve anteontem na cidade para coletar relatos dos denunciantes e encontrou evidências que, segundo ele, basearão mais uma denúncia contra a empresa. Desta vez o problema é a instalação de postes em via pública.

Breno Vale é presidente do Conselho de Administração da Abrint, associação civil que representa o setor junto a órgãos reguladores. Em entrevista exclusiva ao Agora, ele conta que as reclamações feitas por oito empresas à Câmara chamaram atenção do órgão. Uma delas alega ter tido 400 cabos cortados só neste ano.

— Para me informar melhor sobre essas denúncias, procurei o gabinete do vereador Roger Viegas [Pros], que foi quem recebeu as reclamações de ao menos oito prestadoras de serviços em Divinópolis e convocou uma reunião com a Comissão de Justiça Legislação e Redação para analisar e discutir os fatos relatados por essas concorrentes da Vivo no que diz respeito aos danos no cabeamento — diz.

Ele passou parte da manhã levantando as informações. Obteve textos, fotos e vídeos que os denunciantes enviaram ao Legislativo (veja algumas dessas imagens logo abaixo). Na hora do almoço, porém, encontrou algo que imagina ser mais uma evidência de irregularidade por parte da Vivo.

— Em frente ao restaurante em que eu estava há, instalado em uma calçada, um grande poste de cimento com uma placa que o identifica como patrimônio da Vivo. Depois vi que são dois postes no mesmo quarteirão. Eles foram colocados no lado oposto ao dos postes de iluminação pública, para cujo uso as empresas concorrentes da Vivo pagam aluguel — relata.

Ainda segundo o presidente da Abrint, as empresas de telefonia e internet pagam à Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) R$ 9,48 por mês para usar os postes dela.

— Imagina se toda empresa de telefonia e internet resolver instalar postes pra atravessar as ruas? Vai ser poste que não acaba mais. Além disso, a instalação de qualquer tipo de estrutura em via pública necessita de aprovação por parte do Município para garantir o respeito à mobilidade. É preciso saber se a Prefeitura de Divinópolis recebeu algum projeto da Vivo e autorizou a instalação desses postes — pontua. 

Notificação 

O representante da Abrint fotografou os postes e encaminhou as imagens a Roger Viegas. Ele também pediu uma cópia da ata da reunião da Comissão de Justiça Legislação e Redação para anexá-la a uma denúncia que pretende formalizar na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para que a Vivo seja notificada.

O vereador confirmou ao Agora o recebimento das informações e também do pedido de cópia da ata da reunião. Disse ainda que já apura junto à Prefeitura se a Vivo foi autorizada a instalar os postes.

— Recebi essa informação com surpresa, pois os postes aparentemente beneficiam apenas uma operadora e isso, para mim, já é totalmente irregular. É um poste que talvez tenha sido instalado de forma desnecessária para beneficiar uma empresa. Já repassei essas reclamações à Prefeitura e perguntei se essas instalações foram autorizadas pelo Município — diz Roger.

Outros lados 

Procurada pelo Agora, a Vivo se limitou a dizer que as instalações e manutenções na rede da empresa em Divinópolis são executadas mediante autorização da administração pública e seguindo critérios determinados pelas autoridades locais.

— Inclusive para a recuperação de vias e calçadas, de acordo com os padrões originais. Durante o período de obras, todos os colaboradores também são orientados a zelar pela infraestrutura já utilizada por outras ocupantes — finaliza, sem responder sobre os postes.

Questionada sobre os postes instalados em calçadas e que possuem a marca da Vivo, a Prefeitura não respondeu às perguntas até o fechamento desta reportagem, às 17h.

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