Ex-vereador Geraldinho da Saúde assumirá direção da UPA

Ricardo Welbert  

José Geraldo Pereira, de 53 anos, mais conhecido como Geraldinho da Saúde, que foi vereador em Divinópolis de 2009 a 2012 e atualmente é secretário municipal em Formiga, será o novo superintendente da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto. Ele foi convidado para a função pela Santa Casa de Formiga, que administra a UPA. Porém, aguarda a exoneração do atual superintendente, José Orlando Fernandes Reis, que cumpre aviso prévio. Na primeira entrevista após aceitar o cargo, ele disse ao Agora que pretende atuar na transição da atual gestão compartilhada para a gestão única da UPA, pela Prefeitura de Divinópolis.  

Quando exatamente você foi convidado pela Santa Casa para a superintendência da UPA? Como se deu esse processo? 
Há cerca de duas semanas. Eu recebi um convite formal da Mesa Administrativa da Santa Casa e depois recebi também cumprimentos por parte do Ministério Público de Minas Gerais, que se posicionou de forma solidária à minha atuação na transição da atual gestão compartilhada da UPA para um cenário no qual apenas o Município de Divinópolis faria a gestão. A partir daí, minha participação já não seria mais necessária e eu voltaria à Secretaria de Saúde de Formiga, onde estou muito bem, em sintonia com os anseios da população e da Câmara.  

Como o prefeito de Formiga, Eugênio Vilela, reagiu a esse convite? E os vereadores?  
Logo após ser informado sobre a minha indicação, consultei o prefeito, que compreendeu a necessidade de uma intervenção eficaz na UPA de Divinópolis. A possibilidade de que seja eu a fazer isso também foi aclamada por ele. O prefeito sabe que será um trabalho temporário e que em breve estarei de volta à Secretaria de Saúde. Alguns vereadores elogiaram no plenário os resultados das minhas ações à frente da pasta, disseram que tem sido um trabalho bom, mas que compreendem a necessidade de se resolver essa questão do contrato da Santa Casa com Divinópolis. Falaram ainda que me veem como um articulador capaz de buscar alcançar esse entendimento.   

O atual superintendente cumpre aviso prévio. A Santa Casa já lhe deu uma previsão de quando você deverá assumir? 
Eu disse à direção que não vou assumir a superintendência da UPA enquanto a situação do José Orlando ainda não estiver sido resolvida. Creio que ainda leve ao menos uns 50 dias. Eu o conheço há muito tempo, tenho muito respeito pelo trabalho dele e não quero causar nenhum problema. Minha ética vem acima de tudo.  

Quais são as suas prioridades para depois da posse na superintendência da UPA? 
Ajudar a encontrar o melhor caminho para a transição. Estou ciente dos problemas pelos quais a unidade de pronto atendimento tem passado. Questões que envolvem desde passivos trabalhistas até o pagando de multas. Uma situação insustentável.   

A UPA tem aparecido nos noticiários como um hospital improvisado, com pacientes amontoados em leitos nos corredores, internados em leis sem as condições adequadas enquanto aguardam vagas em hospitais.
Sim. A UPA é para urgência e emergência e virou um grande ambulatório. Se a Santa Casa de Formiga não participa no controle dessa situação, tudo fica solto e bagunçado. Por isso sei que precisarei acompanhar de perto essa questão. Não pode haver pacientes internados com risco de amputação de membros, dentre outras coisas.   

Um dos aspectos que os vereadores de Divinópolis mais cobram da atual superintendência da UPA é transparência na gestão dos recursos investidos pelo Município. O que pretende fazer para corresponder a esse anseio?  
T
ransparência na coisa pública é algo sempre necessário. É natural e importante que a gestão envolva todos os agentes políticos. Questões relacionadas a multas rescisórias, por exemplo, ficam com o setor jurídico. Mas estaremos à disposição para fornecer as informações que os vereadores quiserem.   

O senhor tem experiência na Câmara de Divinópolis, onde foi vereador por um mandato. Com base na bagagem que adquiriu naquela época, como o senhor avalia a saúde pública na cidade? 
É claro que o Estado precisa pagar ao Município os milhões de reais que deve. A falta desse dinheiro afeta a prestação eficaz de serviços públicos básicos, como é o caso da UPA. Também acho que a saúde, no geral, precisa ser reestruturada, com cobertura total na atenção primária.  

Essa visão que o senhor tem a partir de sua experiência de vereador permitirá que atue de forma política à frente da UPA? 
Não pretendo discutir política. Farei a transição em sintonia com os agentes políticos e o Ministério Público, buscando apoio também nas demais esferas. Meu foco é a assistência de qualidade, não deixando faltar insumos e nem medicamentos na UPA. Não pretendo, nesse cargo, julgar os resultados das ações de absolutamente ninguém. Até porque não cabe a um superintendente de UPA fazer isso. Cabe ao Ministério Público.  

 

 

 

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