Editorial: Mesquinharia no esporte

Reportagem publicada nesta edição do Agora mostra o drama da Associação Basquete Divinópolis (ABD), que, prestes a disputar os Jogos do Interior de Minas (Jimi), que ensina o esporte gratuitamente a 50 alunos, vê-se proibida pela Prefeitura de treinar no ginásio municipal no qual começou a fazer isso em 2012. Isso porque não tem R$ 2,5 mil mensais para pagar pelo uso. É claro que não tem! A ABD é uma entidade sem fins lucrativos e a Prefeitura sabe muito bem disso.

Procurado pelo jornal em março, o secretário de Esportes e Juventude, Everton Dutra, explicou que a cobrança é fruto de um decreto assinado pelo prefeito Galileu Machado (MDB) em janeiro e que impõe a cobrança de R$ 100 por hora de uso dos espaços públicos municipais. Dutra alegou que não poderia isentar a ABD da taxa, pois 2018 começou com escassez de recursos nos cofres públicos e nenhuma forma de arrecadação é descartada. Vale tudo. Até mesmo obrigar um projeto social que faz algo que esse governo capenga jamais conseguiria fazer: ensinar basquete a 15 atletas no time adulto, 15 no juvenil e outros 20 no infantil e feminino.

A cereja do bolo está na insinuação de que isentar a ABD de pagar a taxa de uso do estádio poderia ser visto como renúncia de receita fiscal – o que é crime. Quem em sã consciência condenaria uma isenção de taxa a um projeto social que produz resultados comprovadamente positivos ao tirar do risco social crianças, adolescentes, jovens e adultos que poderiam perder o rumo da vida no ócio e buscado coisa melhor nas drogas, como já fizeram muitos outros que não foram acolhidos pela turma do basquete?

O secretário assoprou na ferida ao dizer que ela poderia pagar em materiais de construção e outros produtos úteis à manutenção do ginásio, como tintas e madeira. Qual parte do “entidade sem fins lucrativos” que o governo não entende? Os responsáveis pelo projeto não cobram um centavo sequer para ensinar a cidadãos divinopolitanos a usar uma bola para marcar pontos atravessando-a em um cesto colocado horizontalmente nas extremidades da quadra – que, aliás, os próprios atletas compraram para o poliesportivo onde agora não podem treinar.

Do ponto de vista político, é uma tremenda burrice — mais uma para a vasta coleção do governo Galileu. Uma administração acuada ética e financeiramente que alega não ter dinheiro para desenvolver projetos sociais e esportivos de qualidade, mas não hesita em prejudicar os resultados de quem consegue fazê-los sem dela depender é mesquinha. A Prefeitura de Divinópolis deveria, em vez de querer faturar R$ 2,5 mil por mês em cima de quem faz o que deveria ser obrigação dela, abraçar causas como a da Associação Basquete Divinópolis e de tantas outras que estão reféns do que impôs o decreto assinado pelo prefeito que, em pleno 2018, ainda acha certo o poder público faturar ainda mais em cima da população.

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