Zummmm

E o tempo esquentou, delícia! Pouca roupa, muita água, muitas frutas, noites curtas e muitas confusões noturnas.

Com o calor, eis que aparece o maior vilão da época: o famigerado pernilongo. Atrevido, agressivo e totalmente sem limite, chega em bandos e se torna dono da situação.

Hoje o que mais se escuta é o tal de “chiiiiiiitektektek”, as poderosas raquetes elétricas em ação. Ali dá de tudo: porrada, soco e pescoção, vale tudo. Se você parar na janela para escutar, esse é o som da vizinhança. Como moro em casa com quintal e muitas plantas não dá outra: anoiteceu, a turma entra para infernizar. Aqui, antes de dormir, existe o grande encontro para a matança. Cada um com sua poderosa raquete, determinado à execução dos indecentes, assim começa e é só pena que voa. Você não imagina a alegria quando acerta um gordo e matuto inimigo! Logo após o barulho cruel, vem o cheiro de churrasco queimado. Conforme o dia, você fica todo manchado de sangue.

Existem várias técnicas desenvolvidas pelos grandes e experientes amigos. Tem aquele que deixa um pé para fora do lençol em sacrifício, tem também aquele que tampa o ouvido com cera e finge que a picada não incomoda, estilo “não tô nem aí”.

O que não falta é mandinga. Lembro-me que, na roça, meu pai colocava na latinha esterco para queimar. Acabava com os pernilongos, mas ficava aquele cheirinho desagradável. Tinha também o tal de colocar vinagre com cravo da índia, quando isso não espantava, você apelava e passava a mistura no corpo todo e no outro dia levantava pronto para ser assado.

Existiam também os venenos. Quem não se lembra dos queimadores verdes estilo espiral, colocados no chão em cima dos móveis? Aquilo ia queimando e levantando uma fumacinha que, além dos bichinhos, intoxicava a turma e sempre deixava uma mancha de queimado no lugar que se colocava. Depois apareceram os venenos ligados na tomada, aí tinha para todos os gostos e sabores. Eu, como alérgico que sou, quase morria. O mais engraçado era que a turma, quando acabava o veneno, colocava no lugar casca de frutas, criatividade era o que não faltava!

Lembro-me que quando conheci Arraial d’Ajuda, há pouco tempo, era adolescente (risos), no fim da tarde passava uma carroça jogando uma fumaça malcheirosa, era o famoso fumacê. Lembro que achei aquilo o fim dos tempos, era para acabar com os mosquitos da febre amarela mas acabava com tudo, até as muriçocas e pernilongos.

O pior é que a cada verão a turma de pernilongos chega com uma técnica nova. Antes, o ventilador quebrava suas asinhas, mas acabou, isso não adianta mais. Ar-condicionado, que esfriava a turma, agora estão curtindo. Não vou ficar surpreendido se, daqui um tempo, chegarem com as raquetes para darem porrada nas pessoas.

E vamos ficando por aqui, armando para mais um round  noturno! Que venha porrada e bomba...

E continuamos aqui a realizar sonhos, Tok Empreendimentos, rua Cristal, 120, Centro.

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