Zema demite secretário estadual de Saúde após suspeita de fura-fila na vacinação

806 servidores foram imunizados, incluindo Carlos Amaral; Fábio Baccheretti assume a pasta

Bruno Bueno

A jornada de mais de 750 dias do Secretário do Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, frente à pasta, terminou na noite de ontem. Suspeito de furar a fila da vacinação em benefício próprio e de mais de 800 servidores, o médico deixa o cargo após mais de 2 anos comandando a secretaria. 

O anúncio foi feito pelo governador, Romeu Zema (Novo), em publicação nas redes sociais.

— Comunico o afastamento do Dr. Carlos Eduardo da Secretaria Estadual de Saúde. Agradeço o trabalho que realizou à frente da secretaria, em especial no combate à pandemia e na gestão para a futura retomada das obras dos Hospitais Regionais no Estado. Minas Gerais tem um dos melhores resultados no enfrentamento ao coronavírus graças à responsabilidade da gestão. Seguiremos atuando com eficiência e transparência para que a vacina chegue logo a todos o mineiros — diz a nota escrita por Zema.

Fura-fila

A suspeita de fura-fila se intensificou quando o secretário confirmou, em coletiva na tarde de ontem, que 806 servidores da pasta foram vacinados contra a covid-19, inclusive ele.

— Toda operação feita foi dentro da legalidade estrita, seguindo as orientações do Ministério da Saúde. Ou seja, estamos dentro do Plano Nacional de Imunização, fizemos deliberações vinculadas a esse plano na esfera máxima de controle — justificou o secretário.

Os setores de Assessoria, Controladoria, Auditoria de Recursos Públicos, Comunicação, Cerimonial, Parcerias em Saúde, Judicialização em Saúde, Estratégia e Orçamentária, Gabinete da SES, policiais e bombeiros responsáveis pelo transporte aéreo de pacientes, foram vacinados, segundo o secretário.

Subsecretarias de Inovação Logística, de Atenção em Saúde, Vinculada à Covid-19, Regulação de Serviços em Saúde, Vigilância em Saúde, Farmácia de Minas, Superintendência Regional de Saúde em Belo Horizonte também possuem trabalhadores imunizados contra o coronavírus.

O Ministério Público abriu um inquérito para investigar o caso.

Novo nome

Quem assume a pasta é Fábio Baccheretti, que foi anunciado por Zema nesta manhã, também nas redes sociais. O médico é presidente da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), sendo responsável pela gestão das unidades hospitalares do Estado.

— Seu trabalho no combate à pandemia, desde o início, colaborou para os resultados relevantes em expansão de leitos e referência clínica no combate à COVID-19, garantindo a Minas um dos melhores resultados dentre todos os estados do país — justificou a escolha.

Visita

O ex-secretário iria visitar Divinópolis na tarde de ontem, 11, porém teve a visita cancelada horas antes. A falta despertou indignação por parte de populares, inclusive de vereadores do município, que expuseram palavras contra o médico na 12º reunião ordinária da câmara.

— Gostaria de saber, se Divinópolis vive o pior momento da pandemia, porque o nobre secretário cancelou a visita que faria hoje? Será que não merecemos a devida atuação? — questionou o vereador Ney Burguer (PSB).

 

 

 

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