Will defende confrontar monopólios em Divinópolis

Intenção é criar ambiente propício para receber novas empresas

Matheus Augusto

Se diferenciar dos outros candidatos. Essa foi um dos pensamento de Will Bueno (PP) ao se candidatar a prefeito de Divinópolis. Suas principais propostas são a abertura de um novo chamamento para definir uma empresa para substituir a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e investir em infraestrutura. Apesar das previsões financeiras pessimistas, reflexo da pandemia, ele se vê capaz de implementar suas propostas, especialmente com apoio do setor privado e através de parcerias.

Tema da vez

Um de seus principais temas é saneamento básico. Para Will, a área não se restringe apenas a questão da água, “que é um absurdo”, mas também é fundamental para gerar emprego e renda.

— Vamos fazer, já no primeiro dia de janeiro do ano que vem, a abertura do chamamento para que esse processo de concessão, a licitação, para as obras começarem já no final do segundo semestre e isso vai tudo através de recurso privado. São R$ 400 milhões. É algo para já começar agora. Não é algo para melhorar o ambiente para que daqui anos comecem a gerar empregos. Esse é um investimento direto e imediato — destacou.

A ideia é implementar diversas melhorias para evitar problemas enfrentados atualmente, como a falta d’água.

— A cidade vai virar um canteiro de obras. Por causa da questão do saneamento básico, vamos ter que trocar toda a tubulação debaixo da terra porque está toda vazando. Isso já vai ser um gatilho para gerar empregos — citou.

O candidato ainda espera, ao avançar nesses movimentos, gerar um efeito dominó positivo para outros setores.

— Consequentemente, vamos ter também a valorização imobiliária, que vai ser o gatilho para a construção civil e isso vai ser a abertura de Divinópolis para um nova fase de desenvolvimento — detalhou.

Ter o saneamento básico como um dos carros-chefe de sua campanha não é uma aleatoriedade. Segundo o Will, o tema deve receber aportes financeiros consideráveis nos próximos anos. 

— Justamento pelo fato de todas as demais áreas estarem indo de mau a pior, esta é a menina dos olhos dos investimentos do Brasil, que é o saneamento básico. (...) com a nova lei do saneamento básico, isso permite com que o setor uma das opções mais preferidas pelos investidores. E temos que correr atrás desses investimentos — explicou.

Outros motivos para colocar o tema como destaque em seu plano de governo, cita Will, é enxerga uma “oportunidade única”, dado a “menor taxa de juros” e o “dólar alto”. “Isso também é bom para receber investimentos”, justificou.

— Dinheiro não falta, o que falta é um projeto que dê credibilidade, que é minha área de expertise — explicou o candidato.

Mais

Em busca do “diferencial”, Bueno quer ir além ‘bê-á-bá que o outros candidatos falam”. Para ele, é necessário ir além de apenas melhorar o ambiente de negócios, desburocratizar a máquina, otimizar os procedimentos e aprimorar o relacionamento com as empresas.

— Divinópolis tem apenas um cartório de registros de imóveis. Eu falo para todo mundo, Divinópolis está sendo coordenada por um grupinho de coronéis. Por que não tem outro cartório de registros de imóveis? — questiona.

O candidato também se diz indignado com o gasto público anual de R$ 2 milhões para administração e manutenção do aeroporto.

— [Estão] tirando dinheiro de quem precisa do remédio da farmacinha, da escola, para atender meia dúzia de coronéis que querem chegar direto de avião em Divinópolis — afirma.

Ele acrescenta que o Aeroporto Brigadeiro Cabral precisa ser transferido ao governo federal.

— Quantas pessoas você conhece que já usou o aeroporto? (...) A única explicação é para ter cargos para os amigos — argumenta.

Por isso, Will vê a necessidade de enfrentar os monopólios para ampliar a diversidade de empreendimentos.

— Precisamos ter uma visão mais inovadora para a cidade, abrir ela para o empreendedorismo, receber novas empresas, novos cartórios, romper esse grupos que monopolizam o desenvolvimento da cidade — defende.

Administração

Em termos de gestão, o representante do PP esperar utilizar seus 12 anos de experiência como servidor do governo federal para aprimorar a prestação de serviço e garantir uma segurança jurídica maior a todos, inclusive a própria Prefeitura.

— É uma proposta que eu já fiz parte dela quando estive na Secretaria do Patrimônio da União. O primeiro passo é digitalizar tudo que acontece, todos os pedidos, análises, porque você tem que saber onde começa e onde termina cada processo — destaca.

Após essa etapa, o objetivo será mapear as atividades exercidas na cidade para ver as dificuldades enfrentadas pelos empreendimentos para identificar onde sistema está parando, “travando”.

Ele ainda cita a importância de trabalhar junto Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) e ao Ministério Público (MP) para avaliar a possibilidade de transferir parte da responsabilidade da liberação dos alvarás para os empreendedores e “facilitar e agilizar a atividade na Prefeitura”.

Além disso, a meta é trabalhar em conjunto com as entidades envolvidas no processo, como órgãos ambientais e de controle desde o início, para evitar que os avanços sejam interrompidos.

— Porque depois chega lá na frente e o Ministérios Público vai travar alguma coisa — explica.

Saúde

O impacto financeiro da pandemia não afeta apenas os cofres públicos, mas também o orçamento das famílias. Com menos recursos, muitos devem abandonar os planos de saúde particulares e adotarem o Sistema Único de Saúde (SUS) como principal rede de atendimento. O aumento da demanda é esperado pelo candidato a prefeito.

— Um indicador que me assusta quando a gente vai nos hospitais é ver a quantidade de pessoas que chegam nos hospitais pronto para um atendimento intensivo, sendo que ela poderia ter sido atendida no posto de saúde. 80% das pessoas que chegam em um hospital poderiam ter sido tratadas no posto de saúde — justifica. 

Will, portanto, quer ampliar o atendimento, em especial dos postos de saúde, para atender mais pessoas e “chegar o mais próximo possível da população”. Assim, através do monitoramento constante dos pacientes, as equipes de saúde evitariam o agravamento de doenças e, consequentemente, a internação dos pacientes e a superlotação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e de hospitais. Além, claro, de minimizar o impacto econômico nas famílias.

— Se você não fizer o monitoramento para amputar a perna, ela vai ter que se aposentar, tirar uma pessoa da família para cuidar dela, então os prejuízos se ampliar — pontua.

Para as melhorias, sua proposta é priorizar os recursos, economizar dinheiro com cargos desnecessários, revisar os contratos e revisar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

— Quem paga IPTU na cidade são as pessoas pobres. Temos que ver as áreas que estão pagando injustamente para poder aumentar a receita do Município — explicou.

O candidato ainda espera economizar até R$ 10 milhões por ano com a troca da iluminação pública para lâmpadas de LED e o uso de placas solares. “Esse dinheiro poderia estar sendo convertido na saúde”, ressalta.

Prioridade

Ao falar de sua prioridade, Will Bueno retorna ao tema inicial: saneamento básico.

— Todos os demais candidatos não têm noção dessa urgência. (...) Eu fui na casa da mãe do meu vice e não tinha água para dar descarga — relata.

Ele ainda afirma que “falta água na periferia porque na região central está vazando”. Mas, se faltar água na região central da Copasa, “o presidente da empresa cai”.

— Com a nova lei do saneamento básico, é proibido esse nível de vazamento, não pode passar de 6%. Hoje está em 50%. Sabe onde está escrito isso? No site da Copasa — argumenta.

Por isso ele vê como fundamental a abertura de um chamamento para a definição de uma nova empresa, movimento que deve ser feito, conforme a nova legislação, “por mais de cinco mil municípios”, estima Will.

— Se Divinopolis não sair na frente, nós vamos perder R$ 400 milhões. Vamos para o final da fila — frisa.

“Quando eu escuto as propostas dos outros candidatos eu fico assustado com o despreparo”, afirma Bueno. Segundo ele, não adianta exigir que a Copasa cumpra o contrato, pois não determinações que exigem a interrupção da falta d’água. A renegociação também é vista como inviável. O representante do PP ainda criticou a possibilidade de decretar nulidade do acordo e levar o caso à Justiça.

— A Justiça é a última coisa que a gente faz numa situação dessa — complementou.

Como resultado de uma ação judicial, o candidato prevê uma determinação para a administração “ressarcir todos os prejuízos causados a Copasa. “Vai dar o maior prejuízo à Prefeitura”, acrescenta.

Aberto o chamamento, ele prevê o prazo de seis meses para construção do projeto. O novo acordo deverá prever: desconto na tarifa, troca de toda a tubulação que está vazando, atendimento a todo o município - inclusive as áreas rurais -, água e esgoto tratado e comprovação de um empréstimo aprovado por um banco de R$ 400 milhões.

— Vamos pegar e virar essa página do saneamento básico em Divinópolis — finalizou.

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