Você é águia ou galinha?

Nesta semana tomo a liberdade de dividir com vocês uma parábola que, desde a primeira vez que eu a li, passou a fazer parte de minha vida.  Não é de minha autoria, foi escrita no século passado por James Aggrey, educador ganense, e, apesar de sua idade, é muito atual.

        Aggrey escreveu a parábola sobre uma águia que fora criada com as galinhas e que não queria voar. Certamente, uma provocação aos povos africanos, então sob dominação europeia. Trata-se de uma lição muito bem-vinda, a todos os povos, de todas as épocas e continentes. Vamos a ela.

Era uma vez certo homem que, enquanto caminhava pela floresta, encontrou uma pequena águia. Levou-a para casa, colocou-a no seu galinheiro, onde logo ela aprendeu a se alimentar como as galinhas e a se comportar como elas.

Um dia, um naturalista que ia passando por ali perguntou-lhe por que uma águia, a rainha de todos os pássaros, deveria ser condenada a viver no galinheiro com as galinhas.

“Depois que lhe dei comida de galinha e a eduquei para ser uma galinha, ela nunca mais aprendeu a voar”, replicou o dono. “Se comporta como uma galinha, não é mais uma águia.”

“Mas”, insistiu o naturalista, “ela tem coração de águia e, certamente, poderá aprender a voar”.

Depois de falarem muito sobre o assunto, os dois homens concordaram em descobrir se isso poderia ser possível. Cuidadosamente, o cientista pegou a águia nos braços e disse:

“Você pertence aos céus, e não à terra. Bata bem as asas e voe”.

A águia, entretanto, estava confusa, não sabia quem era e, vendo as galinhas comendo, pulou para ir juntar-se a elas.

Incomodado, o naturalista levou a águia no dia seguinte para o alto do telhado da casa e insistiu novamente, dizendo:

“Você é uma águia. Bata bem as asas e voe”.

Mas a águia tinha medo do seu eu desconhecido e do mundo que ignorava, e voltou novamente para a comida das galinhas.

No terceiro dia, o naturalista levantou-se bem cedo, tirou a águia do galinheiro e levou-a para uma alta montanha. Lá, segurou a rainha dos pássaros bem no alto e encorajou-a de novo, dizendo:

 “Você é uma águia. Você pertence ao céu e à terra. Bata bem as asas agora e voe”.

A águia olhou em torno, olhou para o galinheiro e para o céu. Ainda não voou. Então, o cientista levantou-a na direção do sol e a águia começou a tremer, lentamente abriu as asas. Finalmente, com um grito de triunfo, levantou voo para o céu.

Pode ser que a águia ainda se lembre das galinhas com saudades, pode ser que ainda ocasionalmente torne a visitar um galinheiro, mas, até onde foi possível saber, nunca mais voltou a viver como galinha. Ela era uma águia, embora tivesse sido mantida e domesticada como galinha.

Assim como a águia, alguém que aprendeu a pensar de si mesmo alguma coisa que não é, pode reformular o que pensa em favor do seu REAL POTENCIAL. Todos os dias encontramos pessoas que querem nos fazer sentir como galinhas. Pior, muitas vezes, nós mesmos olhamos para o espelho e enxergamos algo que não somos.

O meu convite nesta semana é para que vocês possam olhar para o céu, experimentar o ar passando por entre seus cabelos e, ainda que comece a tremer, que você se permita pular e experimentar o doce sabor de ter asas.

        Bom fim de semana a todos!!!

 

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