Viva São João...

Amnysinho Rachid

Que saudade é essa que aperta o coração e nos faz aquela falta tremenda das festas juninas? “Pula fogueira iaiá, pula fogueira ioiô…”

Desde que nos entendemos por gente, nos fantasiamos de caipira para dançar quadrilha. Que delícia botar o chapéu de palha, aquela roupa com remendo, o poderoso bigodinho e a costeleta de carvão com aquela botina de couro ‒ as meninas com os lindos vestidos de chita, com muita fita e poderosos laços, e estávamos todos prontos para quadrilhar, delícia.

Me lembro do meu primeiro casamento no jardim de infância da tia Jadica, que ficava ali na capela de Santa Cruz, com a Andréa Machado. Eu, lindinho de terno risca de giz que meu tio Adib trouxe de São Paulo, abafando na fita, e a noivinha toda de vestido de renda rodado branquinho com véu e grinalda e com um lindo bouquet de flor de laranjeira na mão. Arrasamos...

Interessante que as festas juninas eram produzidas e a turma ensaiava para dançar quadrilha até com marcadores, com grandes produções.

Me lembro sempre das barraquinhas de Santo Antônio em Ermida, montadas na praça em volta da igreja. Era uma festa deliciosa!

Ali, você encontrava de tudo. Deliciosas comidas típicas: milho-verde, paçoca, caldos, pé de moleque, churrasquinho, canjica, doces, biscoitos, quentão e muitas cervejocas.

Uma vez, fomos para essa famosa festa e a nossa amiga Jaqueline levou uns amigos paulistas para conhecer as tão faladas barraquinhas. Chegando lá, ficaram loucos com o que viram e se entusiasmaram com a beleza das meninas e a animação da festa.

Um dos paulistas chegou perto de mim e me perguntou onde poderia comprar um comprimido de Engov e eu, querendo ajudar, falei que na venda encontraria. Ao chegar na vendinha, pedi o tal remédio, que me foi entregue, e rapidamente distribuí. Cada um dos visitantes tomou dois e partimos para festa.

Passado um tempo, nós já no meio da fuzarca, um dos paulistas passou perto de mim e foi logo me perguntando onde tinha um banheiro, pois não estava muito bem. Mostrei o banheiro de festa na roça ‒ já viu, né, é meio sem jeito. Aí já chegou o outro colega perguntando também pelo banheiro e, logo após, o outro querendo a mesma coisa.

Coitados dos amigos, a coisa ficou feia para o lado deles, foi um tal de corre-corre e calafrio e a gente sem entender nada, até que peguei o envelope do remédio que distribui e, olhando com cuidado, vi que, em vez de Engov, tinha dado para turma Lacto-Purga, que tinha o envelope da mesma cor.  Literalmente se soltaram na festa, se é que me entendem.

E nós continuamos aqui, vacinados com a primeira dose, esperando a segunda ‒ se Deus quiser que venha rápido. No HALL Negócios Imobiliários, rua Paraíba, 913, Centro.

rachidmendes@hotmail.com 

    

      

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