Vítimas de abuso sexual ganham espaço multiprofissional em Divinópolis

 

Gisele Souto  

 

Vítimas de abusos sexuais têm a partir de agora um local adequado para serem recebidas e atendidas. Com a assinatura do protocolo de atendimento nesta sexta-feira, 18, elas podem se dirigir diretamente ao Hospital São João de Deus (HSJD), onde terão todo um aparato num local separado assistidas por diversos profissionais. Assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros e médicos fazem parte da equipe engajada nesta causa.  

O objetivo é promover nesse contexto humanizado um local onde a vítima, já traumatizada com a situação, possa contar sua história apenas uma vez, sem exposição e sem repetir na delegacia tudo o que foi revelado aos profissionais. Isso porque todo o relatório detalhado pelos profissionais vão com o paciente para a delegacia.  

Ou seja: o depoimento chega à Delegacia de Mulheres pronto.  Antes as vítimas, além do longo depoimento à polícia, precisavam por muitas vezes enfrentar situações ainda mais desagradáveis e humilhantes, já que tinha de ir de lá para uma unidade de saúde, como a UPA, esperar horas para serem atendidas e repetir todo o relato ao médico no momento da consulta.  

 O espaço  

 No Hospital São João de Deus (HSJD) as vítimas, além de um espaço separado, aconchegante e lúdico quando o paciente for criança, os atendidos também terão todo um aparato em relação à sua saúde. Receberão medicação, como pílula do dia seguinte, necrofilática do anti HIV, um novo método inovador contra o vírus, dentre outros.  

O secretário executivo da Comissão Interventora do HSJD, Geraldo Lucas Lamounier, explica que o mais importante neste processo é que é um tratamento humanizado com uma equipe especializada que dará todo aparato às vítimas. 

— Ficamos felizes por poder oferecer a essas pessoas esse atendimento com consultório multiprofissional. Sabemos que, tendo em vista a gravidade da situação, elas ficam fragilizadas e todo apoio é preciso nesta hora — enfatiza.  

 Adequação a lei   

Toda essa assistência é garantida a essas vítimas há cinco anos. A lei 12.845/2013, sancionada em agosto de 2013 pela presidente Dilma Rousseff (PT), estabelece que os hospitais deverão oferecer atendimento emergencial, integral e multidisciplinar às pessoas que forem vítimas de violência sexual.  

Assim, todos os hospitais que atendem pela rede do Sistema Único de Saúde (SUS) são obrigados a oferecer esse atendimento. Mesma determinação prevê também um decreto estadual 47014, de 29 de junho de 2016. A norma obriga o tratamento dos problemas físicos e psíquicos decorrentes da violência sofrida, oferecendo o diagnóstico completo. 

 Pioneira   

Com a confirmação do protocolo de atendimento, Divinópolis, por meio da Delegacia da Polícia Civil e a Secretaria de Saúde, passa a ser pioneira em Minas Gerais no atendimento a vítimas de abuso sexual. O Ministério Público, por meio da promotoria da Infância e Juventude, também é parceiro.  

 Importância   

O promotor Carlos José Fortes diz que o Ministério Público considera o protocolo como de extrema necessidade para o cumprimento de uma lei que atende às vítimas desse crime, para que sejam prestados os atendimentos adequados e também colhidas provas úteis aos processos.  

Para o delegado regional, Leonardo Pio, a medida se mostra necessária e qualifica as rotinas do poder público municipal.  

— Uma única porta de acolhimento das vítimas e um atendimento especializado 24 horas é o mínimo que elas merecem — afirma. 

 

Foto: Divulgação/PC 

 

Legenda/ Assinatura foi no auditório da Polícia Civil  

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