Virtudes necessárias ao bom governante

Augusto Fidelis

Ambrogio Lorenzetti, pintor italiano do século XIV, início do Renascimento, é o autor de um afresco que existe no Salão da Paz do Palácio Público de Siena. Nele estão representadas as várias alegorias para um bom governo, com os seus resultados positivos tanto no campo quanto na cidade. E, para se fazer um bom governo, a sabedoria e a justiça são virtudes fundamentais.

Aquele que se propõe a governar deve buscar a sabedoria, pois essa virtude leva-o a desejar o bem, a verdade e o belo. Se o governante é sábio, ele buscará o conhecimento sobre os vários aspectos da vida dos representados, para entender as alegrias e aflições dos cidadãos. Age com prudência e moderação e coloca o bem comum acima dos seus próprios interesses.

O bom governante deve ser amante da justiça. E, sendo justo, buscará o respeito à igualdade de todos, dentro da legalidade. Segundo a doutrina católica, a justiça consiste na constante e firme vontade de dar ao outro aquilo que lhe é devido. O governante que busca constantemente a sabedoria e a justiça exercerá com maestria a política, que é a arte de educar o povo no conhecimento de si mesmo, na busca da verdade e harmonização do viver e da convivência social.

Neste ano de 2020 o Brasil passará por eleições de prefeitos e vereadores. Muitos são chamados, mas poucos, muito poucos merecem ser escolhidos. Há anos o país vive uma crise de relaxamento da ética e avivamento da falta de caráter daqueles que se propõem ocupar os cargos mais importantes da vida nacional. Mas não adianta o Executivo ser austero enquanto os outros poderes esbanjam e se mergulham na corrupção. Como bem diz o ministro Luiz Barroso: “onde quer que se tire uma tampa há podridão”.

Aqui em Divinópolis, pelo menos por enquanto, não se vê nada de animador despontar no horizonte. Aqueles que se proclamam candidatos agora podem não sê-lo na época oportuna, porque existem muitas pedras no caminho. Os que agora não o são podem despontar, mais adiante, mediante acordos nada republicanos. Quem está dentro não quer sair, quem está de fora querer entrar, porém farinha do mesmo saco. Uns não têm caráter, outros não têm moral, outros não mostram a que veio.

Muito pouca gente se salva. Inclusive, até no Supremo, ministro manda soltar amigo preso pela primeira instância, envolto em malfeitos até os fios do cabelo, sem se importar com as questões éticas e a revolta da população. É aquela história: se correr o bicho pega e se ficar o bicho come e ainda se lambuza.  Então, onde encontrar os amantes da sabedoria e da justiça? Nós estamos fincados!

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