Virou guerra política

Editorial

Em tempos de batalha contra uma pandemia que já matou mais de 100 mil pessoas, a guerra político-partidária deveria ser deixada de lado. Deveria e seria o óbvio em qualquer nação desenvolvida, no entanto, se tratando de Brasil, não é isso que vem ocorrendo desde que o vírus chegou ao país. Atitudes amadoras, antiéticas e imorais dos nossos representantes marcam este processo tão dolorido vivido por milhares de famílias e presenciado pelo restante da população, que, boa parte inerte, apenas assiste espetáculo atrás de espetáculo. De tudo já se ouviu da boca de alguns políticos, como: usar máscara não adianta, isolamento social é bobagem, a covid-19 não passa de um resfriado à toa. Enquanto isso, ações deixam de ser elaboradas, milhares de pessoas não são assistidas, remédio não chega, recursos muito menos, apenas por mera disputa política. Apenas pelo ego elevado da maioria que simplesmente quer aparecer em cima da catástrofe. Uma das piores já registradas no Brasil, diga-se de passagem. 

Enquanto todos os líderes mundiais pregam a união para o enfrentamento à pandemia, por aqui, presidente, governadores e prefeitos não se entendem. E não para por aí. Vereadores e chefes do Executivo, incluindo Divinópolis, em vez de parceria em prol da causa, se atacam ou muitas vezes se atracam sem chegar a lugar nenhum. Aliás, chegam: em discussões ridículas nas redes sociais e ao descrédito total, pelo menos junto aos mais entendidos.  A guerra é contra a covid-19, esqueçam o resto, como os interesses pessoais. Pensem no coletivo e tirem o pensamento, pelo menos por enquanto, das eleições, afinal, elas não curam as doenças. E, só para refrescar a memória, todos estão no mesmo barco, se naufragar vai todo mundo. Ainda não inventaram navios que não afundem para ricos, políticos apadrinhados e para quem se acha melhor do que todo mundo.

De oportunistas, o povo brasileiro que nunca deixou de estar em plano inferior está farto.

Afinal, pelo rumo que as coisas estão tomando, é impossível se fazer alguma previsão futura. Porém, realizar mudanças pensando no bem de todos é, no mínimo, razoável. Por outro lado, a se levar em conta que decisão em Minas Gerais manda fechar academias e abre bares para vender bebidas a “Deus dará”, dá um certo frio na barriga. Desde quando tonto pensa em transmissão viral? É preciso lembrar que a tempestade está longe de passar, e decisões equivocadas podem fazer com que ela caia ainda com mais intensidade. E pior: além da guerra política, a psicológica é grave e pode ser tornar irreversível. A pensar!  

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