Violência contra mulheres diminui em Divinópolis

Anna Lúcia Silva

A violência contra mulheres em decorrência do gênero é um fator que tem movimentado autoridades de todo país. Em Divinópolis, a eficácia e celeridade da atuação policial e judicial tem feito com que casos desta natureza registrem menores índices. O delegado regional, Leonardo Pio, concedeu entrevista exclusiva ao Agora, em que aponta fatores que têm contribuído com a diminuição de atos violentos contra mulheres. Ele ainda encoraja vítimas a denunciarem nos canais de comunicação da Polícia Civil, ou mesmo presencialmente, na Delegacia de Orientação e Proteção à Família.

Um dos principais fatores que favorecem a crescente redução de crimes contra mulheres na região, incluindo feminicídios, é a atuação da delegacia especializada de defesa da mulher, chamada hoje de Delegacia de Orientação e Proteção à Família, inaugurada em 2003.

Desde então, tem ampliado as possibilidades de denúncias de vítimas de violência doméstica e de crimes passionais. No comando desta delegacia está a delegada Gorete Rios que também comemora a diminuição dos casos de crimes contra mulheres.

Para demonstrar a redução, o delegado Leonardo Pio comparou dados de 2017 e 2018 em que evidencia a eficácia da atuação policial e também judicial na região.

— Comparando dados de 2017 e 2018 fica claro essa redução. Por exemplo, em 2017, registramos 33 homicídios contra mulheres no âmbito do departamento regional,  destes, 14 foram de natureza passional ou de violência doméstica. Em 2018, tivemos 24 homicídios, também no departamento e, destes, apenas 11 decorreram de crimes passionais. Percebemos claramente uma redução drástica e se faz importante ressaltarmos a atuação conjunta de autoridades policiais e judiciais, principalmente em Divinópolis — destacou.

Ainda sobre dados referentes à violência contra mulher, Leonardo Pio conta que, em 2017, foram registradas 1.800 ocorrências de violência doméstica, que se referem a boletins que englobam lesão corporal, assédio, ameaças, dentre outras questões. Em 2018, houve uma redução substancial para 1.701 registros.

— Ainda a titulo de comparação, em 2017, tivemos 41 homicídios tentados contra mulheres e, desses, 20 foram passionais ou decorrentes de violência doméstica. Em 2018, diminuímos para 18 casos e, destes, caímos para sete ou em decorrência a violência doméstica — destacou.

Pio relembra casos noticiados massivamente pela imprensa, como no ano passado a ocorrência do irmão que acabou atirando contra a irmã. No mesmo ano houve ainda o caso do marido que matou a esposa e se suicidou em seguida. Já no ano anterior, um policial matou a namorada, a sogra, a mãe e depois também se suicidou.

— São casos violentos que causaram muita comoção e a diminuição é reflexo do conjunto de ações qualificadas Polícia Militar, Polícia Civil e a própria Vara de Violência Doméstica, sob o comando do juiz Mauro Riuji e Ministério Público. Por fim, fazemos um apelo para que a mulher denuncie, seja ligando para o disque 100, para o 181 ou diretamente na delegacia especializada — pontuou.

Delegacia especializada

No comando da Delegacia de Orientação e Proteção à Família, Maria Gorete Rios, conta que realiza trabalho preventivo com cada mulher. O intuito é evitar que o crime de feminicídio não seja concretizado.

A equipe que integra a delegacia especializada conta desde o início de 2018 com uma psicóloga e estagiários. A equipe é capacitada para acolhimento e acompanhamento dessas vítimas, bem como dos agressores que, na maioria das vezes, também são acompanhados e monitorados, principalmente em casos nos quais há emissão de medidas protetivas.

Por sinal, as medidas protetivas, como destaca  a delegada, também estão diminuindo consideravelmente se forem relacionados os anos de 2017 e 2018. No primeiro ano, foram emitidas 398 medidas, enquanto que em 2018 este número caiu cerca de 50%, com o total de aproximadamente 200 casos.

— A medida protetiva segue o critério legal para ser emitida, sendo que neste ano foram expedidas pouco mais de 10. Nos dois anos anteriores a redução foi considerável, o que estamos trabalhando incansavelmente para ser cada vez menor — como aponta a delegada.

— Quando uma vítima procura a delegacia temos não só um local para registro da agressão, mas, sim, uma equipe totalmente especializada em atender essas vítimas que estão fragilizadas pelo ocorrido e precisam imediatamente ser assistidas de uma maneira acolhedora por psicólogos, assistente sociais e por toda a equipe. É importante valorizarmos todas essas pessoas que merecem colher esses frutos. Uma orientação de qualidade evita as vias de fato — finalizou a delegada.

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