Vereadores discordam sobre dívida do Estado com Município

 

Maria Tereza Oliveira

Assunto recorrente nos últimos meses, a dívida do Estado com Divinópolis foi, mais uma vez, tema de debates na reunião da Câmara. Dividindo opiniões, os repasses do governo estadual foi alvo de críticas de um lado e enaltecimento de outro. Enquanto isso, a Prefeitura vê a dívida crescendo e o Governo de Minas destaca economia gerada no 1º bimestre de 2019.

Parece que a lua de mel entre os vereadores e o governador Romeu Zema (Novo) já acabou para alguns. Nas eleições de 2018 muitos parlamentares da cidade apoiaram publicamente e fizeram campanha para ele, mas pouco mais de dois meses após Zema assumir o cargo, a opinião de alguns edis parece ter mudado.

Adair Otaviano (MDB) criticou duramente o governador, além de destacar o aumento da dívida do Estado com o Município.

Por outro lado, Sargento Elton (Patriota), enumerou e enalteceu alguns dados que apontam os repasses estaduais feitos, referentes ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).

Novo de mentira

Adair destacou a votação expressiva que Zema teve na cidade. De acordo com o vereador, no 1º turno, o governador recebeu mais de 73 mil votos em Divinópolis, o que corresponde a mais de 68% dos votos válidos. No 2º turno, mais divinopolitanos votaram em Zema que recebeu mais 93 mil votos, ou seja, mais de 82%.

— Com a promessa de mudar o rumo de Minas Gerais através do “Novo”, Zema ganhou eleição de forma esmagadora, graças a quem acreditou na promessa — afirmou.

Adair Otaviano afirmou que o Governo Zema deve a Divinópolis mais de R$ 15 milhões. Já contando com março, ele dividiu o valor em três, e disse que a média da dívida seria de R$ 5,4 milhões por mês.

O vereador lembrou a dívida do Governo Pimentel (PT) com o Município. Fazendo uma retrospectiva, segundo Adair, nos últimos 24 meses do Governo PT, mais de R$ 101 milhões. De acordo com o edil, a média por mês do governo petista é de R$ 4,2 milhões por mês, ou seja, mais de R$ 1 milhão a menos do que a atual gestão.

— O governo do Novo chega a ser pior do que o de Pimentel. Se continuar assim, o prejuízo será ainda maior e nossa região ficará ainda mais prejudicada — conjecturou.

Faltam recursos ou austeridade?

Se para Adair os repasses são insuficientes, para Sargento Elton, há recursos, mas a falta de austeridade do Executivo atrapalha a cidade.

Elton também levou números para informar os valores captados pelo Município de repasses estaduais do dia 21 de fevereiro, até dia 1º deste mês.

Conforme ele informou, no dia 21 de fevereiro, a cidade recebeu R$ 434 mil. No dia seguinte foram R$ 453 mil. Em 25 do mesmo mês, foram captados R$ 251 mil. No dia 26, R$ 35 mil. No dia seguinte, R$ 178 mil entraram nos cofres do Município. No dia 28 foram R$ 117 mil. Por fim, em 1º de março, Divinópolis recebeu R$ 138 mil.

— Ao todo, a Prefeitura recebeu R$ 680 mil referentes ao Fundeb e R$ 1,47 milhão de IPVA. Ou seja, não faltam recursos, mas é necessário que o Executivo corte da “própria carne” — destacou.

Números confusos

Os levantamentos dos vereadores não batem com os do Executivo. A reportagem entrou em contato com a Prefeitura que passou outros números da dívida.

De acordo com a assessoria, são R$ 105 milhões do Governo Pimentel e R$ 11 milhões do Zema.

Economia

O governo estadual divulgou que conseguiu economizar nos dois primeiros meses, R$ 4 bilhões, enxugando a máquina.

Este superávit foi 48,1% maior, se comparado ao mesmo período de 2018, quando houve um excedente de R$ 2,7 bilhões.

Mesmo com a economia, os atrasos dos repasses estaduais continuam atrasados.

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