Vereadores criticam atualização na cobrança do IPTU

Parlamentares dizem que Prefeitura, por meio do georreferenciamento, vai aumentar o valor do imposto

Bruno Bueno

Um assunto diferente dos habituais foi o principal assunto da 67ª Reunião Ordinária da Câmara de Divinópolis na tarde de ontem. O georreferenciamento, que atualiza a cobrança do IPTU na cidade em 2022, foi criticado por diversos vereadores. 

Roger Viegas (Republicanos), Israel da Farmácia (PDT), Hilton de Aguiar (MDB), Edsom Sousa e Josafá Anderson (CDN) usaram seus pronunciamentos para se posicionar contra a medida. Conforme os parlamentares, o novo modelo aumenta o valor do imposto para quem realizou um pequeno acréscimo na sua propriedade, como uma garagem ou um “puxadinho”.

 

Roger Viegas 

O parlamentar do Republicanos foi o vereador que deu mais ênfase à situação. Roger relembrou que votou contra o georreferenciamento quando o projeto chegou à Casa em 2019. 

— A Câmara, em 2019, no mandato passado, aprovou, por nove votos a sete, o georreferenciamento. Eu, Ademir, Janete, Sargento Elton, Nego do Buriti, Edsom e Matheus Costa votamos contra. Nós entendemos o que isso causaria e, apesar de ser considerado necessário, o georreferenciamento seria um impacto negativo nas contas do IPTU dos divinopolitanos. Neste ano isso pode ser piorado se esta Casa receber a planta de valores, ou seja, um reajuste no imposto —  disse.

 

Ele aproveitou para explicar à população o que é o georreferenciamento e por que em algumas plantas haverá o aumento do imposto.

— Alguns populares me perguntaram o que é georreferenciamento. (...) É um referenciamento geográfico que se faz da área construída dos imóveis, ou seja, você que tinha na sua casa uma planta que consta que você tem até 150 m de área construída e fez, neste ano, um puxadinho, um quartinho, um alpendre, uma varanda ou uma cobertura, esse estudo vai contar agora como área construída mesmo que não seja formada com quatro paredes — afirmou.

 

Edsom Sousa

Roger citou o vereador Edsom Sousa (MDB), que realizou esforços para o projeto não ser aprovado em 2019. Ele também criticou a postura da Prefeitura, que conforme o edil, deveria ter divulgado melhor a mudança.

— Muitas pessoas já receberam e talvez nem saibam o que é. A Prefeitura, antes de mandar a cobrança, deveria explicar isso em público através das suas redes sociais para tirar essa dúvida dos divinopolitanos que estão assustados. O povo já está preocupado com aumento na conta de luz, água, IPVA, gás e, como se não bastasse, tem aumento dentro do município. (...) É menos dinheiro no comércio da cidade e mais dinheiro nos cofres do Município. A gente sabe que é a única coisa que a gestão tem para se salvar, mas não é o ideal nesse momento — ressaltou.

 

Edsom pediu a palavra para Roger durante o pronunciamento. Ele disse que a vice-prefeita Janete Aparecida (PSC), à época vereadora, não é culpada pela situação. O vereador também afirmou que considera a situação injusta para a população carente da cidade, mas salientou que existem situações que a mudança é necessária.

— Eu quero fazer justiça aqui a nossa vice-prefeita, a ex-vereadora Janete. Esse projeto é do Galileu. (...) Na época eu pedi a todos para votar contra porque eu sabia que ia trazer esse caos. E vai piorar, mas a Janete não tem nada a ver com isso. (...) Nós vamos debater isso, ela vai me chamar para uma reunião para a gente tentar fazer uma avaliação. Eu quero discutir isso de uma forma muito madura (...) — afirmou.

 

Josafá Anderson

O vereador do Cidadania também usou seu tempo na tribuna livre para criticar a mudança na cobrança do imposto. Ele disse que a medida vai dobrar a cobrança do IPTU.

— É um abuso. Se eu deixar uma sombrinha ou uma uma casinha do cachorro no quintal eles vão querer cobrar também. (...) Eu espero que aprecie com zelo e atenção esse projeto que foi protocolado para não permitir que o governo cobre essa área coberta (...) Isso vai dobrar o IPTU de todo mundo na cidade. Queria estar tranquilizando algumas pessoas que me ligaram. Amanhã eu estarei no sindicato dos contabilistas onde teremos uma reunião para abordar esse assunto — relatou.

 

Ele também afirmou que considera a medida “afoita e inoportuna”. Josafá pediu atenção dos colegas para legislar a favor da população.

— Eu acho inoportuno e também uma maneira afoita de fazer as coisas. A gente vai colher essas informações para inibir essa ação. (...) Temos que ficar atentos e essa Casa tem que legislar a favor da população. É inadmissível que esse tipo de projeto passe em nossos olhos (...) — explicou.

 

Hilton de Aguiar 

Hilton de Aguiar (MDB) também criticou a mudança. Ele disse que a situação é uma covardia e um “roubo a mão armada” contra a cidade. O parlamentar relatou que várias pessoas o procuraram para relatar a situação.

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