Vereador critica ausência da população na Câmara

Da Redação

A reunião desta quinta-feira da Câmara, 27, recebeu a visita do bispo da Diocese de Divinópolis dom José Carlos de Souza Campos para a divulgação da Campanha da Fraternidade. Neste ano, o lema é “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”. Na oportunidade, o bispo pediu que os vereadores tenham compromisso com a causa.

— A Igreja diz que a política é a arte da grande caridade, da grande compaixão. Vocês [políticos] podem mais que um indivíduo sozinho. Vocês podem mais pelo poder que têm de produzir leis e de fiscalizar. Por isso viemos pedir justamente isso, que haja, por parte desta Casa, um compromisso sério com a vida, sobretudo com a vida mais vulnerável e com a vida que se vê, literalmente, entregue aos cuidados públicos ou a morte — afirmou.

Após a fala do bispo, o vereador Dr. Delano (MDB), o primeiro a discursar, comentou sobre o pedido do líder religioso.

— Esse tema é muito oportuno. Emendando o que ele disse, responsabilizando as políticas e os políticos como uma das causas da falta de compaixão, há de se colocar também a falta de compromisso individual do próprio ser que elege os políticos. (...) Muitas pessoas se organizam. Atrás do dom José, tem uma classe aqui: a dos taxistas. Olha, que bacana. Mas só tem a classe dos taxistas, porque tem um interesse desta classe. Mas, atrás dos taxistas, não tem mais nenhuma outra classe — refletiu.

Em seguido, o parlamentar ressaltou a falta de participação popular nas reuniões ordinárias da Câmara.

— Cadê o nosso povo? Ali tem uma classe lutando por seus interesses, e foram em todos os vereadores, inclusive a mim. A gente fica preocupado, porque essa Casa é a Casa da cobrança. (...) tem várias desculpas: neste horário eu estou trabalhando; já fizemos reunião à noite e não apareceu ninguém. Só falta, dom José, reunião de madrugada para gente ver se aparece alguém — declarou.

O vereador alegou que os lugares da Câmara destinados à população são ocupados apenas quando há interesses particulares ou de alguma categoria.

— Mas se não tiver interesse individual, essa Casa não enche. Ela só enche quando há interesse classista ou individual. Olha que tristeza. A Casa de Leis, de gente eleita por você que está em casa (...) só se enche com um interesse individual ou classista. Ela não se enche em outros tempos. E às vezes é tão triste que passa reunião a semana toda sem ninguém — afirmou.

Com isso, Delano acredita que campanhas como a da Fraternidade não terão o alcance esperado.

— A responsabilidade, enquanto ela não for do outro lado que está me vendo, essa campanha da Fraternidade e outras campanhas, em qualquer que seja a religião, vai ser rasgada, porque o compromisso parte não é dos empregados do povo, é do patrão, que não vem cobrar, a não ser que ele tenha interesse, e não vai ter — defende.

Por fim, o vereador disse que os resultados esperados dependem de uma mudança de mentalidade da população.

— Vamos encher igrejas e não vamos conseguir mudar, porque o patrão não está a fim de mudar. Só vamos mudar quando tivermos isso aqui enraiado e culturalmente não temos, tem sempre um Cristo para ser crucificado — finalizou.

 

 

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