Vereador cobra apuração de supostos maus-tratos a animais pelo Crevisa

Ricardo Welbert

O vereador Eduardo Print Júnior (SDD) cobrou nesta terça-feira, 21, que os grupos que atuam em defesa dos direitos dos animais abandonados denunciem formalmente o Centro de Referência de Vigilância em Saúde Ambiental (Crevisa) de Divinópolis. Segundo ele, o órgão tem sido alvo de constantes denúncias informais de maus-tratos por parte dessas entidades protetoras.  

Ele citou o recente caso da Associação Quatro Patas, que afirmou ao vereador ter visto cães sendo tratados de forma inadequada em um veículo da Secretaria Municipal de Saúde cedido ao Crevisa.

— Ela ouviu o choro do animal e quando se aproximou para ver, viu um cachorro amarrado em um veículo do órgão. Segundo a protetora, o animal tentava sair. Mas, por causa de uma corda que o estava enforcando, ele chorava. Cenas chocantes. Ela saiu e relatou à pessoa responsável que além deste cão havia também outros filhotes soltos dentro do veículo — disse.

Ao ser questionado pela protetora, um servidor do Crevisa teria dito que os animais seriam mortos porque tinham leishmaniose, mas não mostrou o laudo à protetora.

— Recebi a notícia de que os dois animais foram sacrificados. Então eu pergunto: cadê o laudo que dizia que esses animais estavam com leishmaniose? Quero perguntar ao responsável, chamado Alex. Existem dois tipos de testes para se detectar essa doença. O primeiro é o teste rápido, no qual se retira uma amostra de sangue do cachorro, coloca-se numa fita e faz-se o teste. Se deu positivo, faz-se um outro teste, do qual se retira o sangue do animal e tem-se 15 dias para receber o laudo dizendo se ele tem leishmaniose ou não. Baseado em qual teste esses dois animais foram sacrificados? — questionou o vereador.

Eduardo afirmou que quer ver os laudos.

— Denúncias de maus-tratos cometidos pelo Crevisa assolam esta Casa desde a legislatura passada, em que o órgão não corresponde às expectativas da população. São reclamações de que só funciona em meio horário; só tem um funcionário e quando ele vai, porque às vezes nem vai; tem férias; folgas; banco de horas; férias premium etc. O Crevisa não está funcionando — reclamou.

Crime

Para o parlamentar, o Município cometeu crime ao não fornecer o laudo à Associação Quatro Patas.

— Não podemos aceitar. Isso é ignorância do ser humano. Sacrificar os animais sem apresentar o laudo a uma associação registrada e que tem o maior cuidado em tratar os animais de Divinópolis. Qual o por quer da recusa em mostrar os laudos? — questionou.

Vistoria

O presidente da Comissão de Saúde, Renato Ferreira (PSDB), foi convidado para participar de uma visita técnica com Eduardo Print Júnior, junto com uma representante da Quatro Patas, para verificarem o que ocorre lá.

— Denúncias feitas por órgãos protetores contra a Crevisa é o que mais se tem na Câmara. Em alguns momentos levanta-se a hipótese de uma completa falta de humanidade com um ser vivo, que é um gato ou um cachorro. Para castrar-se um animal hoje, marca-se para daqui a seis meses. Há seis meses foi montada a estratégia do “Castramóvel”. Castramos centenas de animais em uma semana. Em Divinópolis, as castrações são marcadas para cada 60 dias, para castrar um por dia. Nós vamos apurar essa situação. Queremos saber onde estão os animais e também diagnósticos que comprovem a condição de saúde desses animais que foram levados para lá — reclamou.

Ainda na opinião do parlamentar, eutanásia não é a solução ideal para o problema da grande quantidade de cães e gatos soltos nas ruas de Divinópolis.

— Coincidentemente, protocolei um projeto apoiando essas Organizações Não Governamentais (ONGs), instituindo o dia municipal da adoção, proteção e bem estar — disse Print Júnior.

E acrescentou:

— Trata-se de uma importante agenda, com ações de conscientização sobre a posse e o combate a maus-tratos. Tem-se que jogar na gaiola sujeitos como esses que jogam os animais recolhidos em locais inadequados, para que ele sinta na pele.

Responsabilidade

O vereador planeja apurar, nos próximos dias, as responsabilidades referentes ao tratamento dos animais recolhidos.

— É preciso que a população seja conscientizada sobre a importância de se garantir a segurança dos animais. Portanto, peço a cada entidade de proteção aos animais que tragam suas denúncias formalmente à Câmara. Na próxima segunda-feira, dia 27, Renato, outros vereadores interessados no tema e eu iremos ao Crevisa para levar os questionamentos de vocês — afirmou.

Descarte

O vereador também pontuou que é preciso saber-se onde são jogados os animais mortos em pet shops.

— Para onde foram levados os animais que matam no Crevisa? Onde jogam? É no lixão, como lixo comum? Para saber disso, precisamos da ajuda das ONGs e dos donos de pet shops — disse, acrescentando que na legislatura municipal anterior uma audiência pública ocorreu para debater esse mesmo ponto.

— O Crevisa não pode continuar matando. A solução é a cidade ter o seu próprio “Castramóvel”. Para que serve a Crevisa se não for para tratar dos animais da nossa comunidade? Qual é o símbolo do Crevisa? Um local onde vou buscar apoio e amparo para cuidar do meu animal. Estamos buscando um local com responsabilidade, que respeita o animal, o cachorro, o gato e o ser humano, porque o que fizeram foi uma covardia e uma bruta ignorância de quem estava com esses animais amarrados por uma caminhonete com o nome da secretaria de Saúde. Nós vamos correr atrás disso — reforçou.

Outro lado

Por meio de nota, a Prefeitura explicou que o Crevisa oferece serviços gratuitos, responsáveis e de qualidade. Acrescentou que a equipe de servidores profissionais realiza atendimento veterinário, esterilização e gerenciamento de doações.

— Em relação à foto de um cachorro numa gaiola, é uma situação que não reflete a realidade. A imagem foi tirada em momento no qual o animal tentou sair da gaiola. Quando o problema foi verificado, os profissionais do Crevisa resolveram a situação e em nenhum momento houve maus tratos — mencionou.

Ainda segundo a Prefeitura, os dois cães adultos foram eutanasiados porque estavam doentes.

— Um estava com leishmaniose positiva e o outro com tumor em fase terminal. Os filhotes foram adotados por uma moradora do bairro Quinta das Palmeiras — finalizou.

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