Vereador admite trocar apoio a Galileu por obras

Pollyanna Martins

O vereador Ademir Silva (PSD) admitiu, durante o seu pronunciamento, na reunião ordinária de terça-feira, 22, que dá votos favoráveis em projetos de lei do Poder Executivo, em troca de obras em sua região. O parlamentar iniciou o seu discurso dizendo que, desde o começo de seu mandato, foi parceiro da administração do prefeito Galileu Machado (MDB) e que o chefe do Executivo sabia do apoio que recebia do vereador.

— O elogiamos sempre, toda semana estamos aqui para elogiar o apoio aos nossos pedidos – afirmou.

Logo em seguida, Ademir disse que, apesar dos elogios, ontem estava usando a Tribuna Livre para cobrar. O vereador narrou dificuldades para ser atendido em alguns quesitos e ressaltou a necessidade de o prefeito saber disso. O parlamentar reclamou da dificuldade que estava tendo para ser atendido na realização de patrolamento na região Oeste da cidade.

Ademir contou que há cerca de três meses está “correndo atrás” para “cortar” uma rua do bairro Belo Vale, porém a Prefeitura não atendeu a sua solicitação. O vereador insinuou que a recusa do atendimento deveria estar relacionada a votos dados a projetos de lei que beneficiem o Executivo.

— Eu acho que está tendo algum problema lá com o vereador. O vereador não deve estar votando aqui com o prefeito não. Vereador deve estar votando contrário – ironizou.

O parlamentar relatou que, desde o início do mandato, luta para que a Prefeitura retire um entulho, deixado pela administração passada, após o patrolamento na Rua Jarbas do Amaral, no bairro Casa Nova, porém a atual administração também não atendeu a esse pedido. Durante o seu desabafo, o vereador revelou ainda que o Poder Executivo realizou o patrolamento da mesma rua em uma área onde uma imobiliária está construindo casas e não atendeu, mais uma vez, a sua solicitação.

— [A Prefeitura] não atendeu o vereador. Eu gostaria de saber se o dono da imobiliária vai votar aqui, vai dar o “sim” ou o “não” aqui – desafiou.

Tapa Buracos

Ademir informou ainda que partes dos bairros São Roque, Tietê, Casa Nova, Quintino e Planalto não foram atendidos pela operação “Tapa Buracos”. Conforme contou o vereador, o Poder Executivo atendeu apenas algumas “ruazinhas” dos bairros e, logo em seguida, o parlamentar instigou o prefeito.

— Se o senhor [Galileu] não tapar os buracos que se tem, principalmente nos bairros São Roque e Campina Verde, onde as ruas estão praticamente todas destruídas, daqui uns dias o senhor vai ter que tirar mais dinheiro aí do bolsinho, que já não tem, para fazer um recapeamento. Aí eu quero ver – incitou.

Zona Rural

Ademir reclamou ainda da situação da zona rural de Divinópolis e de Galileu ter atendido solicitações de outros vereadores. Segundo o parlamentar, os vereadores Adair Otaviano (MDB), César Tarzan (PP) e Nego do Buriti (PEN) “choraram” e foram atendidos pela Prefeitura.

— O Nego [do Buriti] chorou tanto e, graças a Deus, foi atendido. O Adair [Otaviano] chorou, o César Tarzan chorou e, graças a Deus, foram atendidos – alfineta.

O vereador ressaltou que o prefeito precisava rever os seus conceitos e tomar providências o mais rápido possível, pois os moradores estavam pedindo socorro. Ademir reclamou ainda que, como não estava sendo atendido pela Prefeitura com o “básico”, ser base do governo na Câmara não estava lhe trazendo benefício nenhum.

— Se nem essas coisinhas nós estamos sendo atendidos, ser base não está sendo ganho nenhum – afirmou.

Entrevista

Ao Agora, o vereador disse que, como é o vereador mais votado de Divinópolis e como sua região precisa de muitas melhorias, escolheu ser base do governo, para que as obras chegassem até lá.

— Se a gente não votar, não estiver do lado do prefeito, a gente não vai conseguir levar essas melhorias para lá. Aí a gente escolheu a esta situação, em ser situação, e não oposição – argumentou.

O parlamentar disse também que, de uns tempos para cá, “as coisas” não estão acontecendo e, por isso, está avaliando se vale a pena ser base do governo.

— A gente fica meio chateado com o andamento dos negócios, e as pessoas ficam nos cobrando. Então nós pensamos se compensa ser situação, ou se não compensa – desabafou.

 

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