Vereador acusa secretário na rua de agressão verbal

 

Maria Tereza Oliveira

Após o vereador Matheus Costa (PPS) ter feito duras críticas ao secretário de Esportes, Ewerton Dutra de Mendonça, nas últimas reuniões da Câmara, o desafeto ganhou mais um capítulo. O parlamentar contou à reportagem que teria sido agredido verbalmente pelo secretário, durante o pré-carnaval.

A situação teria ocorrido no trajeto até uma churrascaria. De acordo com Matheus, ele, juntamente com duas testemunhas, foi abordado por Ewerton.

— Ele apontou o dedo na minha cara e me ofendeu com palavras de baixo calão e ainda disse que eu não sou homem de verdade — afirmou.

Ameaça?

O vereador acredita que o secretário queria que ele revidasse as provocações. Matheus se sentiu ofendido, principalmente, com as palavras de baixo calão direcionadas à sua mãe. Ele também afirma ter sido intimidado pelo secretário.

— Ewerton disse que eu tenho “teto de vidro” e que eles vão me arregaçar. Achei que a atitude foi deselegante — opinou.

O vereador afirmou que a situação comprovou que Ewerton é despreparado para o cargo.

Outro lado

Agora ouviu o secretário. Este afirmou que tudo não passou de um mal-entendido. Disse também que não teve a intenção de ofender o vereador e, muito menos, sua mãe.

— Eu não tenho nada contra ele. Só não gostei da maneira pela qual o Matheus se dirigiu à Secretaria de Esportes, mas o que ele falou sobre mim nas reuniões não me ofendeu. Inclusive, tenho o maior orgulho em ser cunhado do Rinaldo Valério (DC) — explicou.

Ele ainda afirmou ter apenas brincado com Matheus e que o tom foi totalmente descontraído.

— Se ele se ofendeu, paciência. Só que, quando eu percebi que o Matheus não estava amistoso, eu o relembrei de que ele tem “telhado de vidro” e que talvez deva pensar nisso — disse em tom enigmático.

Processo

O vereador revelou à reportagem que foi à Delegacia da Polícia civil, registrar uma queixa contra Ewerton. O vereador ainda disse que, juntamente à sua equipe, estudará a possibilidade de entrar com um processo contra Everton.

— Em nota, eles me chamaram de chulo e vulgar. Agora eu te pergunto: quem foi chulo e vulgar? — questionou.

O parlamentar contou ainda que, junto a ele, havia duas testemunhas que podem confirmar a agressão verbal que sofreu.

1º round

Em seus últimos pronunciamentos, o edil fez duras críticas à Secretaria de Esportes e ao secretário. Dentre elas, o parlamentar criticou a falta de equipamentos e se mostrou indignado com a nomeação de Dutra para a chefia da pasta.

— Relação com o esporte ele não tem. Ele é cunhado do vice-prefeito, Rinaldo Valério (DC), por isso, foi nomeado secretário. Ele riu e disse que não tem dinheiro na secretaria. Então fecha as portas — disse em tom firme.

Matheus também não poupou críticas à Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Settrans).

Ele reclamou das 18 mil multas aplicadas em 2018 pela secretaria e ainda criticou os gastos da Settrans com construção e manutenção das lombadas, semáforos e tinta de asfalto.

2º round

A Prefeitura chegou a mandar uma nota de repúdio ao vereador, que rebateu as críticas.

No texto, a assessoria de comunicação defendeu as secretarias criticadas pelo vereador. Ela ainda destacou que o edil usou termo chulo, vulgar e tratamento desrespeitoso em relação às pastas em seu pronunciamento.

— A imunidade conferida ao parlamentar para, no exercício exclusivo de seu mandato, expor com liberdade suas ideias e críticas não pode servir de salvo-conduto para um ataque gratuito às instituições públicas e à pessoa de seus respectivos titulares — criticou.

A Administração justificou as limitações que os secretários têm de lidar, devido à crise econômico-financeira atual.

3º round

O assunto voltou aos holofotes na reunião da Câmara da última quinta, 21, quando Matheus discorreu sobre a polêmica. Ele afirmou que pode ter sido uma tentativa de calá-lo.

— Desde o princípio, eu fui claro ao afirmar que não deixaria que me intimidassem. Essa nota só me deu motivação para continuar e, com isso, mostraram que eles fazem parte da velha política — salientou.

O edil não gostou da nota da Prefeitura e destacou duas palavras do texto: chulo e vulgar.

— O sentido denotativo de chulo quer dizer que não é digno, grosso e de baixo calão. Chulo é o tratamento que vocês [Prefeitura] têm dado à população. Já a palavra vulgar quer dizer do povo, popular e comum. Disso vocês podem me chamar, porque eu realmente sou do povo e tenho usado uma linguagem comum para todos entenderem — justificou.

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