VER

Olá! Durante 11 anos morei numa cidade no interior de Minas Gerais. Cidade pequena. Havia vivido, até aquele tempo, apenas em grandes cidades. Foi uma experiência nova para mim, sob vários aspectos. Um deles, em especial, quero compartilhar com você. Ali, naquela cidade, eu me assustei com a visão que alguém pode ter. De alguma forma, a impressão é que todos te conhecem, que todos te veem.

Residia naquela cidade há poucos meses, quando fui levar um dos meus filhos para uma consulta. Ao entrar no consultório, o médico me recebeu e disse: “Bem, pastor, seu filho...” (fiquei surpreso!). Como esse cidadão sabia quem eu era e o que fazia? Não quis perguntar. Voltei em silêncio. Quando parei num posto para abastecer o carro, o frentista me abordou, dizendo: “Vai quanto aí, pastor?” (Meu Deus! Todos sabem quem sou!). Mais uma vez fiquei surpreso. Eu me perguntava: quando fomos apresentados? Onde nos  vimos? Não havia respostas. Simplesmente, morava em uma pequena cidade e minha vida não era segredo naquele lugar.

Como disse, residi ali por 11 anos. Com o passar dos anos, me acostumei com o fato de ser reconhecido por quem eu não conhecia. No entanto, o tempo também me ensinou que nem todas as pessoas me reconheciam. Embora cada vez mais me tornasse conhecido do público, participasse de inaugurações, fosse preletor em escolas, realizasse casamentos, assumisse a liderança em trabalhos sociais etc., mais pessoas deveriam saber quem eu era. Isso parece ser lógico. No entanto, ver e reconhecer alguém não é uma questão de lógica. É uma questão de saber ver. A maioria das pessoas enxerga, mas, nem todos conseguem ver corretamente. Isso pode fazer a diferença em muitas circunstâncias. Quero contar uma história para explicar melhor:

Em Israel, viveu o homem mais importante da história da humanidade. Embora muitos não queiram ver esta verdade, Ele não depende de aceitação para ser um fato. Jesus nasceu naquela terra e marcou a história. Ele foi tão importante para a humanidade, que a história foi dividida em antes e depois dele.

Sobre esse homem repousava a autoridade do próprio Deus, pois que é Deus. E essa autoridade fora desfrutada por centenas e até milhares de necessitados. Ele curou enfermos, ressuscitou mortos, multiplicou pão e peixe para alimentar multidões, fez sinais e prodígios extraordinários etc.

Um episódio em especial gostaria de fazer menção aqui. A história do homem que era cego de nascença, chamado Bartimeu. Residente em uma cidade chamada Jericó. E que, devido à sua deficiência, a vida lhe foi pesada, tornando-se pedinte à beira do caminho daquela cidade. Esse homem esmolava à beira do caminho (como de costume), quando ouviu o som de que Jesus passava por aquele lugar. Sabendo da fama do Nazareno, e que se tratava, de fato, de uma visita inesperada, passou a gritar por Jesus. Alguns discípulos de Jesus deram ordem para que o cego parasse de gritar, porque os incomodava. Mas, não dando ouvidos, fazia aumentar o som de sua súplica. O Senhor, ouvindo o desesperado homem, parou. E, olhando para o pobre cego, perguntou: “O que queres que te faça?”. O cego disse: “que eu torne a ver”. E o Senhor, sem mais questionamentos, o curou (Evangelho de Marcos 10.46-52).

O que atrai minha atenção para esta história é o fato de que o cego via melhor que muitos que enxergavam. A presença de Jesus de Nazaré oportunizava a todos os homens que estiveram com ele a chance de algum benefício divino (visto que todos carregamos alguma carência ou necessidade). No entanto, muitos dos que enxergavam e presenciaram inquestionáveis sinais de quem era Jesus, simplesmente fecharam os olhos para os fatos. Preferiram não ver. Fecharam os olhos para as evidências e, usando de astúcia, por inveja, criaram um motim que conduziria o Messias à morte de cruz.

Pessoalmente, acredito que os revoltosos contra os milagres de Jesus eram (boa parte) pessoas que traziam uma gama de argumentos e conhecimentos, que utilizaram para convencer os mais simples a negarem o que testemunhavam diante de seus olhos.

Ver ainda é (em aspectos da fé) uma escolha. Não se pode ver Jesus por meio do conhecimento. É necessário mais que palavras escritas nos livros de história. É necessário mais que palavras carregadas de argumentos científicos (comprovados ou não). É necessário decidir ver. E, como Bartimeu, dar valor aos sinais que alcança. Não tente negar os fatos! Não é possível negar que tudo que foi dito por Jesus vem se cumprindo. Quando se fala de aquecimento global, aumento da violência, crises humanitárias, aumento das guerras, ódio por toda parte, crueldade, injustiça, catástrofes naturais etc., o que evidencia é o som do cumprimento das profecias de Jesus. Ainda que não sejamos capazes de enxergar detalhadamente, é possível ver que se trata de evidências inquestionáveis.

Ver é, muitas vezes, uma opção. Pense nisso!

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