Vendas dos supermercados crescem durante a pandemia

Aumento foi 10,97% em 2020; região Centro-Oeste tem o pior desempenho entre as demais

Da Redação 

O aumento do tempo em casa, os períodos de fechamento de bares e restaurantes e o auxílio emergencial foram fatores importantes para o crescimento das vendas nos supermercados em Minas Gerais. Devido a essas diversidades de comportamento, o setor supermercadista mineiro registrou crescimento médio de 10,97% em vendas e R$ 41,39 bilhões de faturamento em 2020, números do Termômetro de Vendas, pesquisa mensal da Associação Mineira de Supermercados (Amis), com empresas de todos os portes e em todas as regiões do estado.   

Em ano marcado pelos desafios de manter o atendimento essencial e com segurança à população em meio à pandemia, os supermercados mantiveram também os investimentos em expansão e inauguraram 69 lojas no estado, sendo quatro na região Centro-Oeste. Os aportes nesses novos empreendimentos totalizaram R$ 660,85 milhões. O número de lojas e o total investido estão ligeiramente abaixo do que foi projetado pela Associação Mineira de Supermercados no início de 2020, que eram de 75 novas unidades, com recursos de R$ 700 milhões. Mas, para a associação, o resultado é relevante diante das dificuldades enfrentadas pelas empresas de forma geral ao longo do ano.

Números e pesquisas 

A pesquisa referente a dezembro mostra que, na comparação com novembro, o crescimento das vendas foi de 21,98%. Resultado atribuído às demandas ocasionadas pelo Natal e fim de ano. Na comparação com o mesmo mês de 2019, a expansão foi de 12,66%. Todos os valores já estão deflacionados pelo Índice de preços no consumidor (IPCA) medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O crescimento em dezembro segue o comportamento das vendas em praticamente todo o ano, numa trajetória bem acima da projeção de 4,5% feita pela Associação no início de 2020.

Centro-Oeste 

A região Centro-Oeste fechou 2020 com um acumulado de 4,01%, sendo a última colocada dentre as demais regiões ‒ que teve a região Central como líder, fechando o ano com 14,14%, seguida da Zona da Mata, com 12,77%.

— O que vivemos foi um ano atípico de muitas mudanças no cotidiano das pessoas, mas de muito aprendizado. E a reeducação financeira foi de fundamental importância para muitos, pois, com a renda per capita em queda, o que se viu, no setor supermercadista foi a grande migração para produtos similares e com preços mais em conta. E que em 2021 possamos colocar em prática tudo que aprendemos, apesar de ser um ano ainda cheio de incertezas — avaliou o presidente do Sindicato do Comércio de Divinópolis (Sincomércio) e empresário do ramo supermercadista, Gilson Teodoro Amaral.      

Mudança de cenário 

A pandemia do novo coronavírus e as transformações provocadas no dia a dia do consumidor mudaram o cenário no segmento. Com o isolamento social, o consumo durante o dia, que antes ocorria fora, veio para dentro das residências. Adultos em home office ou, em muitos casos, desligados do trabalho e crianças sem escola elevaram o volume de compras das famílias, especialmente em itens da cesta básica e produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica. Na opinião de especialistas, o auxílio emergencial pago pelo governo federal também foi um fator preponderante no aumento da demanda ao propiciar acesso a mais itens da cesta de compras a um número maior de consumidores.

Demanda de produtos 

Itens antes comprados nos bares e restaurantes, fechados em boa parte do ano, passaram a ser consumidos em casa. Isso fez elevar também a demanda de produtos, como bebidas e carnes, nos supermercados.  

— O crescimento do e-commerce, que ganhou muito espaço no setor em 2020, favorecido pelas transformações digitais de forma geral, também foi um fator que contribuiu com o aumento das vendas. Muitos consumidores optaram por ficar em casa e fazer as compras por meios digitais, e os supermercados responderam bem a essa demanda — destaca o presidente Executivo da Amis, Antônio Claret Nametala. 

Custos altos

Ressalta-se, porém, que o aumento de vendas ao longo de 2020 não se traduz em melhores resultados financeiros efetivamente, segundo a Associação. Para manter o atendimento com qualidade e segurança, os supermercados tiveram que passar por muitas mudanças e se ajustar a protocolos diversos. O setor precisou reorganizar lojas, adquirir equipamentos e disponibilizar itens de proteção e cuidados com a saúde para clientes, funcionários e fornecedores. O alto custo de todas essas adequações e a pressão dos preços dos produtos, principalmente da cesta básica, achataram ainda mais as margens do setor. 

— A atenção à saúde de funcionários e clientes sempre foi preocupação do setor e, neste período de pandemia, os cuidados foram redobrados. Aliás, neste balanço de 2020, temos que fazer um agradecimento especial aos colaboradores dos supermercados que tiveram papel decisivo para que o setor não só garantisse o abastecimento à população, mas evitasse uma queda ainda maior da atividade econômica do país — declara Claret.

Investimentos 

As projeções do setor para este ano são otimistas, com previsão de mais investimentos e de expansão nas vendas. A chegada da vacina contra o coronavírus trará mais segurança, segundo a associação, para consumidores e empresários e à população em geral e mais confiança na economia. 

No setor supermercadista mineiro, novos investimentos vão continuar ocorrendo em todo o estado. A estimativa é que 70 lojas sejam abertas durante o ano, com a geração de 7,3 mil empregos diretos. Se confirmados esses investimentos, até o fim de 2021, o setor terá investido R$ 720 milhões em novos empreendimentos.

Com a esperada chegada da vacina a toda a população e seus reflexos positivos na economia e a volta do auxílio emergencial, o setor projeta um crescimento de 4,20% ao ano.  

— Esta projeção reflete a melhora da confiança dos empresários do setor, com chegada da vacina e também pelas novas lideranças no Congresso Nacional, com a maior possibilidade de votação das reformas. A sinalização do governo para a volta do auxílio emergencial, ainda que em parte, também é muito bem-vinda — conclui Claret.   

 

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