Vejo como desrespeito, por isso a necessidade da investigação, diz vereadora

Apesar do plenário quase deserto, parlamentares mostraram estar por dentro da apuração contra o prefeito

Maria Tereza Oliveira

Para quem é acostumado a acompanhar as reuniões não é raro que o plenário da Câmara esteja vazio, tanto por parte da população, quanto pelos vereadores. São poucos os parlamentares que de fato acompanham a reunião o tempo todo em seus lugares na Casa. Entretanto, em uma decisão importante como o pedido da admissibilidade de investigação da denúncia de infração político-administrativa contra o prefeito, era de esperar que todos os vereadores ouvissem atentamente a leitura do documento. Todavia, não foi o caso. Em diversos momentos na reunião de terça-feira, 18, a leitura teve de ser interrompida por falta de quórum. Ao fim, o pedido foi aprovado por dez votos favoráveis e seis contrários.

Mesmo na primeira leitura, realizada nas reuniões que precederam a votação do dia 7 de maio, o comportamento não foi diferente.

Após a votação, em entrevista ao Agora, Eduardo Print Jr. (SD) salientou a importância dos vereadores em entender as denúncias contidas no documento.

Com base na falta de quórum recorrente durante o momento em que o documento era lido, a reportagem ouviu os vereadores para saber quais pontos os fizeram se posicionar favoráveis ou não ao pedido.

Por que ser contra?

Zé Luiz da Farmácia (PMN), Eduardo Print Júnior, Adair Otaviano (MDB), César Tarzan (PP), Josafá Anderson (CDN), Renato Ferreira (PSDB) se posicionaram contra a investigação. As respostas dos vereadores estavam em sintonia.

Na primeira vez em que o pedido foi votado, Print disse à reportagem que a questão dos áudios envolvendo o prefeito Galileu Machado (MDB) já estava resolvida. Outra alegação do pedido é sobre a fala do procurador do Município na Câmara. O vereador destaca que, como qualquer cidadão, o procurador tem o direito de usar a tribuna.

Sobre a alegação de renúncia de receita com a questão do estacionamento rotativo, o líder do Governo na Câmara afirma não ser condizente, pois não dá para prever quantas multas serão aplicadas.

Fazendo coro a Print, Adair Otaviano realizou as mesmas defesas sobre o porquê ter votado contra a investigação.

Josafá também teve discurso parecido e ainda salientou que, no caso dos áudios, já foi inclusive montada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da qual ele participou.

— Foi constatado que não houve irregularidades — disse.

Renato Ferreira destacou que, em sua opinião, o decreto de advertência antes da multa foi uma das poucas ações em favor da sociedade.

— Não é renúncia de receita e serve como medida educativa. Vários lugares já adotaram a prática e, depois, o decreto já foi até revogado — apontou.

Através de sua assessoria, Zé Luiz explicou que seu voto foi pautado no estudo do documento.             Afirma que é necessário olhar a situação como um todo, levando em consideração o momento financeiro pelo qual os municípios mineiros têm passado.

A reportagem não conseguiu entrar em contato com César Tarzan.

Por que favorável?

Do outro lado estão os dez vereadores que foram favoráveis a admissibilidade: Edson Sousa (MDB), Janete Aparecida (PSD), Matheus Costa (CDN), Roger Viegas (Pros), Marcos Vinícius (Pros), Delano Santiago (MDB), Ademir Silva (PSD), Nego do Buriti (PEN), Raimundo Nonato (PDT) e o suplente do vereador Sargento Elton (Patriota), Carlos Eduardo Magalhães (PRB).

Dentre as justificativas dos parlamentares que a reportagem ouviu, duas denúncias se destacaram: os áudios e a suposta renúncia de receita. Eles também destacaram que o pedido de investigação visa esclarecer as situações citadas e que pode ser uma forma do chefe do Executivo provar sua inocência.

Roger Viegas revelou que a principal motivação foi a questão envolvendo os áudios das negociações de cargos no Executivo.

— Se por acaso for comprovada a troca de favores, é sim improbidade administrativa — afirmou.

Já sobre as irregularidades envolvendo a Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Segurança Pública (Settrans) e a suposta renúncia de receita, ele diz ser preciso uma análise mais profunda.

— A meu ver essa pauta não deveria entrar no documento, pois, a princípio, não vejo irregularidades — revelou.

Matheus Costa ecoou a fala de Roger, porém, ao contrário do colega, para ele, a questão do rotativo pode significar renúncia de receita.

Janete mostrou ter o entendimento parecido com ambos os vereadores, mas destacou que o principal motivo seria a conversa do prefeito com Marreco.

— Quando você observa o diálogo, percebe que realmente há um oferecimento de vantagem. Vejo como desrespeito, por isso é necessária uma investigação — salientou.

Ademir disse que votou favorável porque para ele, todo pedido de investigação tem de ser aprovado para dar transparência ao trabalho. Da mesma forma pensam Marcos Vinícius e Dr. Delano.

— Votei favorável porque acredito no prefeito. Acho que se não votasse assim, o povo seria contrariado. Se há suspeita, é necessário investigar — explicou Delano.

— Não se pode ficar com a sensação de acobertamento, de impunidade, ou de pessoas não querem enfrentar o que é necessário. Meu voto foi tranquilo e acredito que Galileu terá a oportunidade de provar sua lisura — justificou Marcos Vinícius.

Raimundo Nonato salientou que a investigação é importante para mostrar a população que todos são iguais perante a lei.

— O povo precisa de transparência. Sabemos que os poderes Legislativo e Executivo são harmônicos, porém independentes — salientou.

Plenário deserto

Nas duas vezes em que o pedido foi votado, também foi lido em sua íntegra. Nas 144 páginas estão diversas reportagens do Agora e de outros veículos de comunicação, além de conteúdo relativo a supostas negociações de cargos na Prefeitura. A solicitação também se pauta nas denúncias apresentadas recentemente pela Associação dos Advogados do Centro-Oeste de Minas Gerais (AACO/MG) sobre o estacionamento rotativo na cidade.

Após a votação, a reunião sorteou os membros da comissão que terá 60 dias para apurar as denúncias do pedido. Roger Viegas, Eduardo Print Jr. e Renato Ferreira foram os sorteados.

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