Vai entender

Vai entender 

Se tem uma coisa que o brasileiro é expert é em ser enganado. Desde a primeira eleição direta, a sensação que se tem – quase certeza – é que o povo gosta de ser enganado. Virou quase um ofício. Entra ano, sai ano, vem eleição, vai eleição, e o comportamento do eleitor é o mesmo. E olha que não é por falta de falar. Somente neste espaço, foram inúmeras vezes. Em busca de heróis – que não existem –, os brasileiros insistem em acreditar naqueles discursos prontos feitos pelos candidatos, mas que na verdade não passam de falsas promessas. Para chegar a essa conclusão, de que o povo gosta de ser enganado, não é muito difícil. Basta olhar com calma os discursos feitos, as posturas adotadas pela população e as escolhas feitas a cada pleito. As eleições de 2016 exemplificam muito bem isso. Naquela época, a Prefeitura de Divinópolis estava literalmente quebrada, as coisas iam de mal a pior e mesmo o então prefeito, Vladimir Azevedo, não escondendo a situação nas diversas entrevistas dadas, um candidato a prefeito prometeu mundos e fundos aos seus eleitores. Entre as promessas, estava a inesquecível de construir mais três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) na cidade. 

Bingo! O candidato teve  votação expressiva. A grande pergunta é: se esse candidato tivesse falado com o povo a verdade – que teria que ser eleito para ver a real situação do Executivo Municipal – para aí ver o que dava para ser feito, ele teria conseguido vencer as eleições? Não! A verdade é que ele não seria eleito caso tivesse “jogado” limpo. E, assim, ano após ano, eleição após eleição, o povo segue sendo enganado. Se essa situação chama a atenção pelas promessas feitas naquele pleito, hoje temos diversas outras no Poder Legislativo. Se um dia algum divinopolitano decidir assistir uma reunião ordinária da Câmara, vai encontrar a verdade nua, crua e decepcionante. Nem de longe os eleitos são aqueles que prometeram o que não darão conta de cumprir.

Hoje, os candidatos que percorreram os quatro cantos da cidade mal participam da reunião ordinária. Alguns fazem seus discursos e saem do plenário da Câmara sem qualquer “dor na consciência”, voltam apenas para votar os projetos de lei. A situação chegou tanto ao extremo que o presidente da Câmara, Eduardo Print Júnior (PSDB), precisou convocar os parlamentares para o Plenário para a votação de um projeto, pois não havia quórum regimental. Não só ele. Na legislatura passada, essa situação se repetiu por diversas vezes. Nesta também. Em palavras mais simples, não havia vereadores suficientes para que a votação fosse iniciada. E, nisso tudo, quem está errado? O candidato, que muda totalmente o seu comportamento depois de ser eleito, ou o povo que gosta, que pede a cada eleição para ser enganado? 

É possível ter esperança de mudanças, de evolução, quando se tem este eleitorado? É possível cobrar melhorias quando o próprio povo não quer melhorar, não quer sequer fiscalizar e cobrar o que é justo? Cada um é capaz de ter a sua resposta e de tirar as suas próprias conclusões. Basta ir um dia a uma reunião ordinária da Câmara, nada mais do que isso, para constatar onde está o erro.

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