Vai depor

Preto no Branco - Vai depor 

A Comissão de Administração da Câmara, que tem à frente o vereador Josafá Anderson (DEM), já enviou comunicado ao agente de trânsito abordado pelo prefeito Gleidson Azevedo (PSC), na feira do bairro Esplanada, para prestar esclarecimentos. O pedido à  Câmara foi feito pelo Sindicato dos Trabalhadores Municipais da região Centro-Oeste (Sintram). A documentação já está pronta e, o próximo, será o secretário de Trânsito, Lucas Estevam. Os integrantes da comissão querem ouvir da boca do servidor os detalhes da abordagem na manhã daquele sábado. Na verdade, todos já sabem. Porém, por se tratar de ocorrência considerada grave e ter havido denúncia, o Legislativo cumpre sua obrigação em investigar. Aguardemos os próximos passos, e que não sejam lentos, como de costume. 

Ainda pior 

Essa não é a única reclamação do sindicato contra Gleidson Azevedo que terminou em denúncia. Também deve dar entrada no Legislativo no fim deste mês o pedido de impeachment, também do sindicato, sob alegação de descumprimento da lei do gatilho. A deliberação quer improbidade administrativa e a bomba está “nas mãos dos vereadores”, por se tratar de uma decisão política. Sinceramente? O máximo que pode acontecer é o prefeito ser chamado na Casa para prestar esclarecimentos. A obviedade é pelo fato de a Câmara praticamente não ter oposição. O máximo que se vê é um vereador aqui outro ali, fazendo algumas críticas mais construtivas do que em tom de cobrança. De forma mais enfática e direta, apenas Ademir Silva (PSDB) e Róger Viegas (Republicanos). Os dois podem, de agora para frente, abrir caminho para a formação de um grupo mais radical, que não incluirá, certamente, os vereadores que já fazem parte do álbum de figurinhas de Gleidson. 

Como antes 

No entanto, para que o trabalho desta Legislatura encorpe, é preciso, como dito no popular mesmo, que os vereadores “criem tipo”. Mesmo depois da grande repercussão da denúncia feita pelo Agora sobre a ausência de vereadores no Plenário, tudo estava, na reunião desta terça-feira, como “Dantes do castelo de Abrantes”. Enquanto alguns discursavam, as cadeiras tinham entre 5 e 6 que, se não prestavam atenção nos discursos, pelo menos marcavam presença. Continuidade de uma extrema falta de respeito com o colega e, principalmente, com os que os elegeram. 

Tem culpa 

Pode parecer cansativo, mas insisto que a população divide essa responsabilidade com os vereadores acostumados a agir como bem querem. Apenas vota e acha que o seu dever foi cumprido. Sabemos que isso não basta. Cadê a cobrança, a fiscalização ou, no mínimo, o acompanhamento? Na terça, por exemplo, a coluna acompanhou de perto boa parte da reunião e, acredite, havia apenas um cidadão de olho no que se passava no debate. Se as cadeiras estão vazias de lá e de cá, lamentavelmente, não tem o que se falar. A pergunta é: até quando?

Jogo sujo

Não é segredo para ninguém – talvez seja esse o principal motivo do desinteresse popular – o jogo sujo da política. O que não justifica, é claro, pois, se não há cobrança, não tem mudança. Estamos a mais ou menos um ano e dois meses das eleições e, nos gabinetes e corredores sombrios, as articulações para “puxar o tapete de quem” já começaram. Laiz Soares (SDD) já é uma das primeiras vítimas, visto que ela já foi clara que a disputa pela Prefeitura ficou no passado e, provavelmente, sairá a deputada no ano que vem. Isso apesar de ter sido a grande revelação e surpresa do pleito, se consolidando no segundo lugar. Mulher, inteligente, cheia de argumentos e bem relacionada, claro, gera desconforto e um certo temor em muita gente. Nem preciso citar aqui o fato, pois, “para quem sabe ler, um pingo é letra”!

 

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