Usina de asfalto: quem quer?

Bob Clementino 

A Prefeitura de Divinópolis não quer!

Entenda a questão:

O deputado Cleitinho (Cidadania) e também o edil Matheus Costa (Cidadania) ficaram indignados quando souberam que a Prefeitura de Divinópolis, em março de 2019, adquiriu de uma empresa da cidade de Oliveira, por R$ 366 mil, 600 toneladas de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ) para o serviço tapa-buracos. O contrato também previu serviços de corte do piso, bota-fora do entulho, limpeza e compactação do fundo da vala, pintura de ligação fornecimento, transporte e aplicação do material betuminoso.

Reação da dupla

Cleitinho e Matheus, revoltados, entraram em contato com o senador Carlos Viana (PSD) que, por meio de emenda impositiva, conseguiu empenhar para a Prefeitura de Divinópolis R$ 1,5 milhão para compra de usina de asfalto quente e um rolo compactador.

Prefeitura não quer a usina!

Depois que o vereador Matheus Costa publicou um texto nas redes sociais denunciando que a Prefeitura recusava receber a usina de asfalto quente, a Administração emitiu uma nota para explicar sua versão dos fatos. Para a Prefeitura, a usina de asfalto quente é:

– um presente de grego que Cleitinho e Matheus tentam oferecer para a Prefeitura;

– que Cleitinho e Matheus estão querendo empurrar nos divinopolitanos uma usina que produz 50 toneladas de massa asfáltica por dia, mesmo o consumo de asfalto de Divinópolis sendo de 80 toneladas por mês;

– que, guardadas as devidas proporções, estão tentando, com a usina de asfalto goela abaixo, repetir a história do hospital regional, uma obra que, depois de pronta, vai custar cerca de R$ 120 milhões por ano à Prefeitura;

– que, para produzir asfalto na propalada usina proposta pelo vereador, necessita de altos investimentos na aquisição, acondicionamento e preparo de insumos, além de autorizações ambientais e treinamento específico, tudo isso para uma subutilização.

Hospital e usina não são presente de grego.

O que revela a infeliz nota oficial da Prefeitura sobre a polêmica com deputado Cleitinho e vereador Matheus Costa? Em minha opinião, mostra a incapacidade e falta de imaginação da Administração Galileu Machado de resolver questões macro da cidade. Ora, começa que o hospital público não é um presente de grego para Divinópolis e região, e sim uma grande conquista para área da saúde. O que falta à Administração Galileu Machado é força política (ou falta de vontade política) para buscar parceria com as 54 cidades que compõem a macrorregião e também com o governo federal via universidade federal, ou Parceria Público Privada (PPP), Samu, SUS e outros.  E, com relação à usina de asfalto quente, idem: a Prefeitura revela a mesma incapacidade de buscar soluções.

Queremos usina de asfalto!

Se o governo Galileu Machado fizer uma pesquisa, certamente a população dirá que quer a usina de asfalto quente. Se ela é grande demais para as necessidades do município, que se use a verba empenhada para comprar uma usina menor e de acordo com a necessidade da Prefeitura, se a visão foi apenas local.  Divinópolis, em março de 2019, não comprou 600 toneladas de CBUQ para o serviço tapa-buracos de uma empresa de Oliveira? Então, por que não ampliar a visão e transformar Divinópolis em exportadora de asfalto quente para as cidades de Minas e do Brasil? Para produzir asfalto na propalada usina, há necessidade de altos investimentos? Deputado Cleitinho está disposto a enviar emendas para viabilizá-la. Há empecilhos burocráticos ou judiciais que impeçam essa venda? Ora, resolva-os! O que não podemos é abrir mão de uma usina de asfalto quente, quando uma das grandes demandas urbanas de Divinópolis são os buracos nas ruas. Criatividade, Galileu e equipe!

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