UPA não tem vagas para atender pacientes adultos com covid-19

Leitos de CTI para a doença estão com 93% de ocupação geral em Divinópolis, que registrou três mortes ontem

Bruno Bueno

Divinópolis está perto de enfrentar mais um colapso em seu sistema de saúde. Ao menos é o que indica a UPA Padre Roberto, um dos principais hospitais que, através do hospital de campanha, atende pacientes com covid na cidade. 

Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), o hospital atingiu, na tarde de ontem, 100% de ocupação em seus leitos de CTI e enfermaria. Isso significa que a unidade de saúde não tem vagas para atender nenhum paciente adulto com a doença. A ala infantil possui seis vagas. 

Outras cidades

O Agora também apurou que existem diversos pacientes de outras cidades no hospital de campanha, localizado na UPA Padre Roberto.

Na área CTI, são 22 pessoas de Divinópolis, duas de Carmo do Cajuru, duas de Perdigão e uma de Onça do Pitangui, Itaguara, Cristais e São Gonçalo do Pará. A enfermaria tem 30 pacientes de Divinópolis, um de Araxá e outro de Araújos. A ala infantil tem uma criança de Nova Serrana e outra de Divinópolis.

A situação não melhora nos outros hospitais da cidade, que também apresentam números preocupantes nos índices de ocupação de leitos. Vale lembrar que os dados mudam a todo momento e os números utilizados nesta matéria são os últimos divulgados pela Semusa no fim da tarde de ontem. 

São João de Deus - suplementar

O Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD) atende pacientes por meio dos planos de saúde e pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na rede particular, o hospital está com uma situação semelhante à da UPA, já que não tem vagas para atender pacientes no CTI, sejam eles com covid ou não.

Na enfermaria covid, a situação apresenta uma ligeira melhora, visto que o hospital tem quinze vagas para atender pacientes, o que representa uma ocupação de 46%. 

A ala infantil da doença tem somente uma vaga, enquanto a que atende crianças sem a doença também atingiu 100% de ocupação.

São João - SUS

Já na área SUS do São João de Deus, o hospital tem duas vagas para atender pacientes com covid no CTI, com 90% dos leitos ocupados. A enfermaria que recebe pessoas com a doença tem nove vagas. 

O CTI para pacientes sem covid tem sete vagas e 65% dos leitos ocupados. A ala infantil do hospital tem sete leitos disponíveis, sendo cinco para crianças com coronavírus e duas para demais doenças.

Santa Lúcia

O Hospital Santa Lúcia, localizado à avenida JK, tem duas vagas no CTI covid, que está com 87% dos leitos ocupados. Na enfermaria, são 13 quartos disponíveis. 

A ala que não atende pacientes com covid tem quatro leitos desocupados.

São Judas

O Hospital São Judas Tadeu também apresenta uma situação preocupante em seu sistema de saúde. O CTI que recebe pacientes com covid tem 150% de ocupação, com três leitos extras que foram instalados e já preenchidos. A enfermaria para atender pacientes com coronavírus tem sete vagas disponíveis.

A ala CTI não covid tem apenas uma vaga disponível, com 83% dos leitos ocupados.

Santa Mônica

Outro hospital que está com grande parte dos leitos ocupados é o Santa Mônica, localizado próximo ao bairro Bom Pastor. O CTI covid da unidade de saúde está sem nenhuma vaga, apresentando 100% de ocupação. A enfermaria que recebe pacientes com a doença tem nove vagas disponíveis. Já a ala infantil tem um leito desocupado.

A área CTI que não recebe pacientes com a doença também tem apenas uma vaga disponível, com os outros 90% ocupados. A ala infantil tem 67% dos leitos preenchidos, com três vagas para atender crianças que não contraíram a covid.

Ocupação geral

A Semusa não divulgou os números dos leitos de enfermaria para pacientes sem coronavírus. Ainda segundo a secretaria, a ocupação geral dos CTIs da cidade é de 93,64%, com apenas sete vagas, todas disponíveis no SUS.

A enfermaria para atender pacientes com covid está com 65% de ocupação geral, com 111 dos 170 leitos disponíveis.

Casos

O número de casos na cidade também continua crescendo. Segundo dados da Semusa, Divinópolis chegou à marca de 13.406 casos confirmados, sendo 6.251 em homens e 7.155 em mulheres. O município ainda tem 68.465 casos suspeitos ‒ outros 2.369 foram descartados e 10.943 pessoas já se recuperaram. A taxa de letalidade da doença na cidade é de 3,18% e o ritmo de contágio é de 1 ponto, o que significa que, 100 pessoas que contraíram o vírus podem contaminar outras 100 habitantes de Divinópolis.

Três mortes

Em outro dado triste da pandemia na cidade, a Prefeitura informou, na tarde de ontem, a morte de mais três pessoas vítimas do coronavírus.

O primeiro óbito confirmado é de uma mulher de 66 anos, que tinha câncer de mama. Um homem de 61 anos, portador de doença cardiovascular crônica e diabetes mellitus, também morreu. Os dois faleceram no dia 1º, terça-feira. Além disso, outro homem, este de 40 anos, que não tinha qualquer tipo de comorbidade, também morreu no último dia 25.

Com os números, o município agora tem 426 óbitos desde o começo da pandemia. Seis estão sendo investigados.

 





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