Uma cidade que se reinventa

Pablo Santos

Ferrovia, fundição e confecção foram setores primordiais para o desenvolvimento econômico de Divinópolis em 107 anos do município. Os ciclos de crescimento passaram por crises, mas a “Cidade do Divino” se reinventa e sempre tira um coelho da cartola para assegurar a engrenagem econômica rodando sempre com maior vigor. Desde 1980, o setor de serviços, também conhecido como terciário, ganhou força e é um segmento reconhecido pelo dinamismo e pela crescente participação no mercado econômico divinopolitano. A cidade começou o seu desenvolvimento com os trilhos da ferrovia e hoje é uma forte prestadora de serviços. Vinte e três por cento do Produto Interno Bruto (PIB) do Centro-Oeste de Minas, que é de R$ 23,7 bilhões,são gerados por Divinópolis.

A locomotiva a vapor, inventada por George Stepherson em 1825, revolucionou o mundo. O então Arraial Espírito Santo começou a receber os primeiros investimentos da ferrovia por volta de 1900 com um ramal ferroviário de Oliveira a Barra do Paraopeba, passando pelo distrito Espírito Santo do Itapecerica, um dos nomesde Divinópolis. Em 1910, as oficinas da Estrada Oeste de Minas (EFOM) foram instaladas e o distritocomeçou a ganhar porte de cidade empreendedora da região, de acordo com o livro “Nas Linhas da Modernidade”, da autora Batistina Maria de Souza Corgozinho. A oficina no bairro Esplanada é a maior da América Latina.

A fundição começou a escrever sua história na cidade em 1919, com o empresário e depois prefeito Jovelino Rabelo, conhecido como o mestre industrial,conforme o livro “Jovelino Rabelo”, de Mauro Corgozinho. Já em 1950, o ferro-gusa ganhou destaque no cenário e o desenvolvimento da cidade deu um novo salto. No entanto, na década de 1970, uma crise atingiu o município e a moda surgiu como oportunidade de crescimento.

Com os metalúrgicos desempregados, suas mulheres começaram a produzir roupas e, atualmente, Divinópolis ostenta o título de maior polo confeccionista de Minas Gerais, de acordo com os dados mais recentes do Sebrae (2013). São 846 empresas registradas e 4 mil pessoas empregadas formalmente na indústria da confecção.

Serviços

Com vários setores ditando o ritmo do crescimento de Divinópolis, o setor de serviços começou ser o protagonista do desenvolvimento da “Cidade do Divino”.

Dados mais recentes apontam o setor terciário comoo seumaior produtor de riquezas. O PIB de Divinópolis é de R$ 5,6 bilhões.Deste valor, R$ 2,9 bilhões vêm do setor de serviços. Para se ter uma ideia, a indústria divinopolitana tem um PIB de R$ 1 bilhão, ou seja, o setor terciário tem um valor quase três vezes maior.

O setor de serviços ganhou essa força por ser entendido como a prática de benefícios intangíveis, os quais são produzidos com destinação ao consumo pessoal. Envolve transportes, vendas e distribuição de bens e produtos aos consumidores. O setor engloba, também, serviços não ligados diretamente ao produto final, como controle de pragas e entretenimento, restaurantes, hotelaria, saúde, educação e outros.

Atualmente, o setor terciário gera 17,2 mil empregos na cidade em suas 6,1 mil empresas registradas. Em 12 anos, o segmento abriu em Divinópolis 6,2 mil vagas de trabalho formal, de acordo com o Ministério da Economia.

Comparando o setor de serviços com o da indústria, é possível avaliar a importância da geração de empregos do segmento terciário. A indústria tem 1,7 mil estabelecimentos comerciais gerando 13,2 mil empregos e, nos últimos 12 anos, fecharam 1,5 mil oportunidades formais, conforme os números do Ministério da Economia.

 

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