Uma boa experiência

É importante salientar que Divinópolis “perdeu a prática” com tudo que se relaciona com carnaval de rua. Nos últimos 12 anos, o único movimento carnavalesco que havia por aqui era o da colunista Zélia Brandão, com o seu “Abre as cortinas do passado”. Uma beleza de festa que durante todo este tempo fez a alegria das pessoas menos jovens, que um dia viveram os verdadeiros carnavais.

Verdade que ultimamente, até por falta de opções, alguns jovens apareciam para ver como era o carnaval de que tanto falavam seus pais e avós.

Neste ano, já cansada de tanto insistir, Zélia deixou-se encantar pela presença dos blocos carnavalescos, que prometiam um outro tipo de alegria momesca. Os blocos das principais cidades do país (só em São Paulo, são quase 500 e no Rio, cerca de 400), se apresentam em seus bairros, com os seus jovens se divertindo sem causar grandes tumultos, embora alguns deles levem mais de 100 mil pessoas para seguir o trio elétrico.

Com o sucesso do ano passado, o ‘Bloco do Cleo’ surgiu como uma novidade excelente para aglutinar jovens e adultos que gostam de uma diversão inteligente. Pular ou sambar, é mexer com o corpo, é cantar, é extravasar, é esquecer a fase horrível do país, é beber com responsabilidade, é inovar, trazer alegria para este povo que tanto sofre com os desgovernos.

Mas tudo tem um basta. E este basta acontece exatamente quando a hora determinada pelos responsáveis pelo evento chega. A dispersão de quem foi apenas para se divertir, acaba ali, não se estende para outras ruas e avenidas, bares e botecos e muito menos com pessoas brigando sem motivos aparentes. A Polícia Militar, que estava altamente preparada para o evento fez a sua parte, interveio, não efetuou prisões, dispersou como podia alguns foliões mais exaltados provavelmente pela quantidade de bebida, e a cidade voltou à tranquilidade.

Resta uma pergunta: por que os blocos têm que desfilar apenas no Centro? Para o ano que vem, seria interessante repensar, pois havia quatro blocos. Se dois não tivessem desistido, é de se imaginar como seria o desfile de domingo, depois da confusão de sábado à noite. Foi uma experiência e tanto, para o ano que vem, um repensar seria necessário, pois os bairros, de onde vem tanta gente e bons instrumentistas, também merecem um pouco desta alegria.

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