Um sepulcro vazio

Mistério! Há muito mistério rodando o mundo! Como pode um vírus, de estrutura tão insignificante, surgido num ponto do planeta, colocar toda a humanidade em polvorosa? Desespero, mortes, quarentena, interrupção da cadeia produtiva, desavenças, pequenos e grandes golpes e medo. Há muita gente com medo da morte. E a mídia, especialista em más notícias, encarrega-se de inundar corações e mentes com o pior que se pode encontrar. 

Está tudo péssimo e a expectativa é que piore, pois o mundo não voltará à normalidade que se anseia. A segunda onda do coronavírus será um tsunami com resultados devastadores. O brasileiro nunca tinha visto coisa semelhante e, portanto, não estava preparado para tal. Há pessoas criativas, mas a maioria tem dificuldade para se reinventar. Quem cair pode não se levantar ou ficar com sequelas irremediáveis. 

Mas há ainda alguma esperança, porque um sepulcro está vazio. Verá a luz no fim deste tenebroso túnel quem tiver a humildade de entender que o ser humano não é nada, que pode ser abatido por algo invisível, da noite para o dia. À beira da sepultura cessa todo orgulho, toda vaidade. Por mais petulante que seja alguém haverá o momento em que terá de se curvar.

Perante a situação que se nos apresenta, faz-se necessário erguer o braço e agarrar à mão de quem é o caminho, a verdade e a vida. Aí está uma Semana Santa atípica, mas que oferece muito espaço para reflexão. Jesus foi abandonado pelos seus amigos, inclusive durante o carnaval, quando foi alvo de escárnio, de deboche, mas Ele não se esqueceu daqueles que o Pai lhe dera e orou em favor deles.

Aliás, orou não só em favor dos seus amigos, mas também dos seus algozes: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. Portanto, sairá fortalecido desta pandemia quem se achegar a Jesus e confiar no seu amor. Em verdade, não é só de pão que vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. Jesus é a palavra encarnada, portanto, a Ele a honra e a glória, e façamos nossas as palavras do salmista: “Sois vós, ó Senhor, o meu Deus! Desde a aurora, ansioso vos busco! A minha alma tem sede de vós, minha carne também vos deseja como a terra sedenta e sem água!”.

Bem se sabe que não há ressureição sem cruz. Mas, passada a Sexta-feira da Paixão, hão de eclodir os aleluias da Páscoa, porque já se ouve ao longe o hino da alegria daqueles que confiam no Senhor: “Já surge a luz dourada, as trevas dissipando, que as almas do abismo aos poucos vai levando (...). Que a luz nos traga paz, pureza ao coração: longe a palavra falsa, o pensamento vão”. Feliz Páscoa!

 

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