Um ano para ser esquecido

José Carlos Oliveira 

A temporada começou cheia de esperanças para o futebol das Minas Gerais, com os times entrando em campo para brigar por objetivos distintos. Dos grandes clubes da capital, o Galo era o que esperava ter em 2020 o melhor ano de sua história, embalado que estava pela derrocada de seu maior rival, o Cruzeiro, que acabara de ser rebaixado para a Série B e ainda tinha que driblar a crise nos bastidores para tentar se reerguer, enquanto o América comia pelas beiradas, como bom mineiro, na base do que vier será lucro, já que não sofria a mesma pressão dos adversários. 

E o resultado é o que estamos assistindo nesta reta final de temporada, muito aquém das previsões de todos os analistas esportivos e dos palpiteiros de plantão.

E o Guarani

Aqui pelas nossas bandas, o Bugre começava sua caminhada para retornar à elite do futebol mineiro em grande estilo, para depois cair de rendimento e quase amargar um novo descenso.

Por capítulos

Numa coluna só é impossível falar do que foi 2020 no futebol mineiro, portanto, começaremos hoje a tecer alguns comentários e iremos concluindo nas colunas futuras.

Pandemia

E, para não deixar passar batido, vamos lembrar que toda a temporada acabou prejudicada pelos efeitos da covid-19, que não escolheu vítimas e atingiu igualmente a todos.

Ah, a torcida!!!

E tem também o efeito torcida. 

Podem falar o que quiserem, dizer que a ausência de torcedores nos estádios afetava aos dois times e tudo o mais, mas a grande verdade é que essa história está longe de uma explicação lógica, e alguns times sentiram, sim, bem mais do que os outros as arquibancadas vazias. 

Aqueles que já estavam acostumados a jogar para pequenos públicos não tiveram impacto algum e, mesmo que alguns discordem da minha opinião, tenho para mim que foram os visitantes que se deram bem nesta história. Equipes acostumadas a jogar junto com seus torcedores, empurradas pelos gritos da massa, se viram presas fáceis para times “fechados”, que entravam em campo para jogar por uma bola, esperando apenas os erros de seus adversários, jogando apenas nos contra-ataques. E sem a pressão que sempre vinha de fora tiveram suas tarefas facilitadas.

Do sonho do Bi à realidade

E para começar a rever o ano, vamos focar naquele que mais sonhou, mas que no fim tem mais a lamentar do que festejar, o Atlético, que vai terminar 2020 como começou: sonhando com o Bi do Brasileirão apenas em 2021 e tendo apenas o insucesso do rival celeste para celebrar. Vai ficar tudo para o ano que vem. Mais uma vez...

De vexame em vexame

Sob o comando do venezuelano Rafael Dudamel, o Atlético começou o ano sonhando alto e imaginando ganhar tudo que fosse disputar, mas já na sua primeira empreitada amargou um dos maiores vexames de sua história, sendo eliminado na Copa do Brasil pelo time do Afogados, de Pernambuco, ainda na segunda fase do torneio. Sem contar que caiu também na Copa Sul-americana para o Union Santa Fé, da Argentina.

Mudança

Com menos de dois meses, a diretoria se viu obrigada a promover mudanças drásticas, começando pelo comando técnico e na diretoria de futebol, com a chegada do treinador argentino Jorge Sampaoli e de Alexandre Mattos para assumir o comando do futebol.

Investiu alto

E por um determinado tempo foi tudo como estava no script. Com a grana dos “parceiros mecenas”, o Galo deu a Sampaoli todos os reforços que o comandante solicitou, gastando milhões de dólares para montar não somente uma equipe, mas um elenco campeão. E por algumas rodadas correu tudo às mil maravilhas e o Galo passou a ser o time a ser batido, e se não o maior, um dos favoritos ao título do Brasileirão. O tão sonhado Bi nunca esteve tão perto da Cidade do Galo.

Do sonho à realidade

Ainda há esperança. O Eu Acredito tem mais algumas rodadas para ser cantado em verso e prosa pela Massa alvinegra, mas a verdade é que do sonho à realidade bastaram apenas alguns jogos. De favorito ao título, o Atlético passa a brigar para se manter entre os primeiros.

Matematicamente, faltando ainda 11 rodadas, ainda dá para o Galo, mas, com a diferença de pontos e de futebol que o time vem jogando, o sonho do Bi vai ficando mais uma vez para o ano que vem.

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