Um ano para ser esquecido (última parte)

Batendo Bola - José Carlos de Oliveira

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É! Não há mesmo como se lembrar de 2020 com alegria no futebol nas Minas Gerais, com poucos motivos para comemorar. Dos grandes da capital, apenas o América se salvou e entrou em 2021 com razões para festejar alguma coisa.

China Azul

Para os milhões de torcedores da China Azul, os dois últimos anos foram um pesadelo só. O time estrelado terminou 2020 na Série B e ainda luta neste início de nova temporada para evitar um desastre ainda maior, um rebaixamento para a Série C, que seria o caos total para o lado estrelado, caso venha a se tornar real.

Sobrevida

Enquanto os americanos festejam o retorno à Série A e ainda sonham com o tri da Série B, o Atlético encerrou 2020 com chances remotíssimas de brigar pelo título da elite do Campeonato Brasileiro. No entanto, depois das últimas rodadas, em que o líder São Paulo caiu de produção e amarga uma sequência negativa de resultados, o Galo vê diminuir a distância na tabela e já enxerga uma luz no fim do túnel. Com o “Eu acredito” cada vez mais real, e o Atlético de vez na briga pela taça, a Massa pode enfim voltar a sonhar com o almejado Bi.

Caindo de produção

Pode até não ser esta a causa do insucesso do tricolor paulista nas últimas rodadas, mas a súbita queda de produção do time nos últimos jogos nos remete a um passado recente e faz lembrar de tudo que aconteceu com o Cruzeiro e com o Guarani em 2020, em que o agito dos bastidores influenciou diretamente no rendimento da equipe em campo. 

Realidade

E essa foi mesmo a realidade dos dois times no ano passado. Enquanto no clube da capital as péssimas administrações anteriores ainda rendem dissabores aos torcedores, com o time celeste em baixa, o Guarani de Divinópolis passou por situação similar e o Bugue viveu dias no mínimo parecidos, após o término do mandato do então presidente Vinicius Morais, fato que agitou os bastidores em Porto Velho e por muito pouco não levou o Alvirrubro para a Segunda Divisão mineira.

No São Paulo

No tricolor paulista foi justamente a eleição de uma nova diretoria que levou o time para o buraco e fez o clube reviver dias conturbados. Pode até não ser essa a causa, mas ninguém aposta no contrário, pois foi justamente com a chegada de uma nova diretoria que o torcedor tricolor viu virar fumaça a diferença que separava seu time dos principais concorrentes. Agora o tricolor já vê Internacional e Atlético pelo seu retrovisor e, se não se recuperar já, dará adeus a um título que estava ao alcance de suas mãos e pés. 

Se antes o favoritismo do São Paulo era real, agora a situação mudou por completo e a briga pela taça de campeão será ponto a ponto até a última rodada e tudo pode acontecer.

Do céu ao inferno

E no Guarani de Divinópolis o clima não foi diferente. Ainda sob a direção de Vinicius Morais, o Bugre começou o Módulo II a mil por hora. Com os bons resultados nas primeiras rodadas do estadual, deu a impressão de que a classificação para o quadrangular final seria uma questão de tempo e que continuaria, sim, na briga pelo acesso.

Mudanças

Mas veio a paralisação do estadual com a pandemia e, a partir daí, uma série de reviravoltas nos bastidores, com mudanças de treinadores e de diretores, que por muito pouco não levaram o Alvirrubro para um buraco ainda mais fundo.

Na prorrogação

Depois de se qualificar como um dos favoritos do Módulo II e abrir boa vantagem nas primeiras rodadas, chegando até mesmo a liderar o estadual, o Bugre despencou na tabela e só não foi parar na Segundona porque buscou o pouco provável na última rodada: vencer um jogo depois de derrotas seguidas.

Com uma série negativa, e o pior, sem ver o time praticar um futebol de qualidade, o torcedor alvirrubro viu a situação se complicar dia após dia, com um novo rebaixamento batendo às portas do Farião.

Menos mal que na última rodada ‒ já sob o comando de seu terceiro treinador em poucas semanas ‒ o Guarani tenha buscado um milagre e, com vitória por 2 a 1 sobre o Ipatinga em pleno Vale do Aço, tenha garantido sua permanência no Módulo II para este ano, evitando que o 2021 fosse ainda mais tenebroso para seu torcedor.

Agora é sacudir a poeira, dar a volta por cima e tratar de não repetir neste ano os mesmos erros do passado. Essa é a esperança. E vamos que vamos, Bugre!

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