Um ano para José

Raimundo Bechelaine

Uma das figuras bíblicas que se destacam, no tempo litúrgico do advento e Natal, é a de José, homem do trabalho e esposo da Mãe de Jesus. Ele se destaca apesar do seu silêncio. Os textos canônicos não registram uma só palavra que tenha dito. 

Um dos bairros mais antigos de Divinópolis é o São José, é prolongamento do histórico bairro Catalão. Ali está a igreja matriz da Paróquia de São José Operário, criada em 1975. Festejará seu meio século de existência em 2025. Além desta, a Diocese de Divinópolis possui duas outras paróquias cujo padroeiro é São José. Uma, no bairro Garcias, em Itaúna. A outra, na cidade a que o santo dá o próprio nome: São José da Varginha. 

Na cidade moveleira, Carmo do Cajuru, o Distrito Industrial e o bairro Bonfim estão unidos sob o patrocínio de São José Marceneiro. Sua capela está em vias de ser construída. Há ainda o Distrito de São José do Salgado, uma das povoações mais antigas da nossa região, onde o titular é também o esposo da Virgem Maria. A venerável Capela de São José, ali existente, em estilo colonial, está em fase de tombamento como patrimônio histórico, por acordo entre a Mitra Diocesana e o Conselho do Patrimônio Histórico Cajuruense.

São José é um dos santos que não precisaram de processo de canonização. Porque a própria Bíblia Sagrada testemunha a sua santidade. Em Mateus (1,19) ele é declarado um homem justo. Enquanto Romanos e Gálatas (1,17 e 3,11) atestam que o  justo vive da fé. De fato, as narrativas evangélicas mostram como a fé era sólida e atuante na vida de José. Pode-se compará-lo com Abraão, obediente às ordens divinas.

O papa Francisco convocou toda a Igreja a dedicar um ano à reflexão, oração e estudo sobre a espiritualidade e o exemplo evangélico de São José. Deu a público, no dia oito deste mês, uma carta apostólica, sob o título de "Patris corde", as duas palavras iniciais do texto latino:  "Com coração de pai: assim José amou a Jesus, designado nos quatro Evangelhos como 'o filho de José'". Assim começa o apelo papal, um texto bíblico e teológico que vale a pena ler e estudar.

Existe uma antiquíssima "História de José, o Carpinteiro", mas é um escrito apócrifo. O teólogo Leonardo Boff escreveu dois livros sobre ele, pelas editoras Verus e Vozes. Pelas Edições Paulinas, o padre Haroldo Rahm e Maria Lamego publicaram: "José era um homem justo". São leituras interessantes, sem dúvida.

Com ou sem vacinas, com ou sem o coronavírus, o ano eclesial dedicado a São José será certamente rico em descobertas e crescimento bíblico e espiritual. Assim como José do Egito, no Antigo Testamento, o santo carpinteiro de Nazaré, que também peregrinou pelo Egito, é um personagem instigante. Vamos, pois, a ele.  jorababech@gmail.com

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