Tudo ou nada

Editorial

Festas e aglomerações interrompidas no último fim de semana em Divinópolis. Em uma delas, a PM e os fiscais da Vigilância Sanitária da Prefeitura de Divinópolis encontraram 20 pessoas, sem qualquer tipo de proteção, vivendo a vida como se não houvesse uma pandemia. Junto a esta notícia lamentável, vem outra: a taxa de internação de jovens por covid-19 vem subindo assustadoramente no Brasil e também em Divinópolis. Hoje, um ano depois, chegamos ao mesmo ponto em que estávamos nesta época no ano passado – porém, em um cenário piorado. A sensação que se tem ao se deparar com este fato é de impotência e muita revolta. Diziam que sairíamos mais fortes, melhores e mais humanos de tudo isso, mas, não, definitivamente não é desta vez que isso deve acontecer.

Quando se vê os dados dos boletins epidemiológicos divulgados pela Prefeitura todos os dias, nota-se que a maioria dos contaminados tem entre 20 e 59 anos, os considerados “economicamente ativos”, ou seja, os que saem para trabalhar, mas a maioria das mortes são de idosos. Estamos na terceira semana de lockdown parcial, com medidas mais restritivas do que nas duas semanas anteriores, com praticamente tudo fechado, comerciantes pagando um preço alto por estarem com suas empresas fechadas, CTIs lotados, com pessoas esperando por vagas em hospitais, e nem mesmo esta realidade é capaz de mudar o comportamento do ser humano. Seguimos na direção contrária do mundo, e parece que não vai melhorar, afinal, enquanto alguns remam para um lado, outros remam para outro. 

Definitivamente, o brasileiro não está preparado para viver em um mundo que exige responsabilidade e empatia. Definitivamente, a população está fadada a viver em uma sociedade medíocre, pobre e hipócrita. Na semana do “é tudo ou nada”, o que se vê é isso: um show de irresponsabilidade e de falta de amor próprio e ao próximo. Na próxima semana, os números dirão se o povo fez pelo menos parte de sua obrigação. Ao analisar as ocorrências da Vigilância Sanitária e da Polícia Militar (PM), se percebe que não. E é este tipo de comportamento que nos deixará neste buraco por um bom tempo. Evolução talvez só na próxima vida (se ela existir)! 

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