Três projetos são aprovados em reunião que teve, de novo, lanches

Maria Tereza Oliveira

O lanche foi, mais uma vez, protagonista da reunião da Câmara. Após dar uma declaração controversa sobre a troca de fornecedores depois das reclamações de colegas quanto à qualidade da refeição, o presidente da Casa, Rodrigo Kaboja (PSD), esclareceu a situação na reunião de ontem. Também no encontro, o Ademir Silva (PSD) foi eleito o novo vice-presidente da Mesa Diretora. Além disso, três Projetos de Lei (PL) foram apreciados.

O primeiro (PL 28/2019) trata dos serviços de pavimentação asfáltica e o tapa-buraco, manutenção, reparo e recuperação asfáltica. Já a segunda (67/2019) proposta aborda da inclusão da corrida rústica maçônica do Centro-Oeste de Minas no Calendário Oficial de Datas e Eventos do Município. A última proposta (79/2019), por sua vez, declara de utilidade pública a “Associação de Moradores da Comunidade do Cacoco do Meio, Siarom, Bom Retiro e Vale das Flores”.

Primeiras aprovações

Na pauta do dia, além dos três projetos citados, constava também o PL 47/2019. A proposta, relativa à transparência na utilização da contribuição sindical e prestação de contas da entidade dos servidores públicos, foi sobrestada pelos vereadores.

Já os outros projetos foram apreciados e aprovados. A proposta sobre asfalto recebeu 12 votos favoráveis. Já o projeto sobre Corrida Maçônica foi aprovado com mesmo placar de votação. A última proposta apreciada, sobre a associação de moradores, recebeu dez votos favoráveis.

Oficialmente, estes foram os primeiros projetos aprovados em ordinárias, mas não foram os primeiros do ano. Em janeiro, foi realizada uma reunião extraordinária, mesmo em período de recesso, pois, entre as ações, a Prefeitura precisava dar andamento à operação de empréstimo bancário no valor de R$ 40 milhões, já aprovado pelos parlamentares em 2019, para realização de obras públicas. O empréstimo foi encaminhado novamente com algumas alterações em dois projetos – Projeto de Lei do Executivo (PLE) 1/2020 e PLE 2/2020 – e aprovado.

Lanches

A fala de Rodrigo Kaboja referente à revelação que ele fez na terça-feira, 4, sobre comentários relacionados à refeição voltou à pauta. Na oportunidade, o presidente da Câmara afirmou que existe um documento no qual alguns vereadores pediram a troca da empresa fornecedora dos lanches devido à qualidade dele.

— Disseram que o lanche era um lixo. Do mesmo jeito que vocês [parlamentares] pediram para trocar, gostaria que fizessem um documento para eu cortar o lanche — disse na oportunidade.

No entanto, na reunião de ontem, Kaboja esclareceu a fala e toda situação envolvendo os lanches na Câmara.

— Algumas pessoas que querem entrar na Câmara estão usando o assunto para produzir fake news e tentar difamar os 17 vereadores. Gostaria de apontar e esclarecer alguns pontos sobre as notícias que saíram nos últimos dias. Entendo e respeito as críticas, pontuações e comentários que recebemos. Por isso, quero pacificar esse assunto com as informações. Nossa Casa recebe diariamente centenas de pessoas, dentre elas, servidores, cidadãos, imprensa e vereadores. O lanche que anualmente licitamos é para atender a todas essas pessoas — pontuou.

O vereador lamentou por ter usado o termo “lixo” no pronunciamento de terça.

— Na última reunião, eu fiz algumas colocações sobre a atual qualidade do lanche servido aqui e as solicitações que me foram feitas. Pelo calor do momento, creio que fui infeliz em citar a palavra “lixo”, que não saiu de uma fala minha. Por isso, peço desculpas se passei uma imagem de falta de respeito com as pessoas que mal têm o que comer — apontou.

Dr. Delano (MDB), Roger Viegas (Pros) e Matheus Costa (CDN) também comentaram sobre os lanches da Câmara. O emedebista disse que, pelos seus cálculos, o valor previsto é de cerca de R$ 1 mil por reunião.

— Dá muitas empadas, pastéis, biscoitinhos, pães, fantas. Eu fiz a seguinte conta: peguei os R$ 90 mil da dotação, dividi por 12 [meses], deu R$ 6 mil e alguma coisa, depois dividi por oito reuniões mensais e o resultado foi R$ 990. O povo tem de ficar revoltado mesmo. É bom fazer essas polêmicas, porque talvez a pessoa que chamou o lanche de lixo, costura a boca dele — criticou.

Roger voltou a falar sobre o tema e disse que talvez não tivesse sido interpretado corretamente.

— O valor estimado abre brechas para críticas. Jamais quis apontar dedo para qualquer vereador, muito menos para o presidente da Casa. Apenas fiz um questionamento sobre o aumento da expectativa — esclareceu.

Matheus Costa também falou dos gastos com o lanche.

— Agora vejo essa discussão. A Casa gastou R$ 30 mil para 180 pessoas, durante um ano. Se parar para realmente conferir os números da Câmara, esse lanche fica até baixo, pelo gasto da Casa. O orçamento da Câmara para este ano é de R$ 20 milhões. Existe certa hipocrisia ao falar deste custo e não ser mais minucioso nos gastos desta Casa. [...] Não adianta assustar com a proporção que este assunto teve, e eu acho que o Kaboja foi realmente infeliz por ter usado a palavra “lixo”. Pois em um estado em que temos três milhões de pessoas que vivem com menos de R$ 400 por mês, se referir a alimentação com este adjetivo não representa o que vivemos em Minas Gerais — apontou.

Licitação

O lanche da Câmara para este ano tem o orçamento de cerca de R$ 93 mil. O valor é aproximadamente R$ 25 mil a mais em relação à dotação do ano passado. Em 2019, a Casa tinha previsão de R$ 67 mil, porém foram gastos menos da metade, cerca de R$ 37 mil.

A licitação deste ano conta com mini-hambúrguer, água com gás, sanduíche natural, x-egg, pão de queijo, refrigerante, suco natural, dentre outros itens em seu cardápio.

Eleito

A reunião também marcou a eleição de Ademir Silva como novo vice-presidente da Mesa Diretora. O vereador disputou o cargo com Matheus Costa, eles foram os únicos candidatos à vaga da Mesa Diretora. Todos os edis presentes votaram, inclusive os concorrentes e os membros da Mesa Diretora.

Ademir recebeu dez votos: Adair Otaviano (MDB), Cesar Tarzan (PP), Dr. Delano, Eduardo Print Jr. (SD), Marcos Vinícius (Pros), Nego do Buriti (PEN), Raimundo Nonato (PDT), Renato Ferreira (PSDB), Rodrigo Kaboja e o próprio Ademir. Matheus recebeu cinco votos: Edsom Sousa (sem partido), Janete Aparecida (PSD), Roger Viegas, Sargento Elton (Patriota) e o dele próprio. Os vereadores Josafá Anderson (CDN) e Zé Luiz da Farmácia (PMN) não participaram da votação.

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