Trem desgovernado

Podemos observar certa confusão entre fins e princípios que nossa sociedade atual tem vivenciado. Embora se apresentem, aparentemente com uma tecnologia, talvez a mais avançada registrada em nossos registros históricos, se perde, entretanto, quando o assunto é conhecer a origem e destino do homem. Surge aqui, de forma oportuna e original àquela clássica pergunta filosófica: “De onde vim e para onde vou?”.

O professor Jorge Angel Livraga, filósofo à maneira clássica, expressou sobre esta falta de consciência da humanidade, da seguinte forma: “Esta máquina, embora bem montada, não sabe de onde veio nem para onde vai. É como um trem expresso cheio de luzes, mas que não sabe para quê corre, onde podem terminar os caminhos e nem sequer se seu destino é uma estação tranqüila ou os horrores de um descarrilamento. No fundo ninguém sabe nada”.

Não vou me referir às falhas técnicas e administrativas, mas sim de uma sociedade que carece de valores humanos. O que teríamos de mais importante numa sociedade, que não seja os seres humanos? Portanto, o foco principal de uma sociedade verdadeiramente desenvolvida, seria medida por sua educação filosófica, refletida na virtude moral de seus cidadãos.

A preocupação de hoje, pelo menos da maioria das pessoas, é se vamos lograr certa posição econômica, gerando com isto, lutas de classes entre pobres e ricos. Entretanto, parece não apresentar muita preocupação em saber, o que será feito após haver conquistado tanta riqueza. A posição econômica passa a ser a mais importante do quê qualquer outra coisa.

Surgem também carências e opiniões cheias de medos, geradas por uma insegurança de não saber o quê estará acontecendo com a natureza.  O estranho é que nestes momentos, aparecem homens com sentimentos “religiosos”, como se quisessem transferir para Deus a solução dos nossos próprios problemas e, sobretudo erros neste convívio com a natureza

Esta falta de Consciência filosófica faz surgir no homem, seu instinto de poder, caracterizado por um infantil desejo de querer governar este “trem”, apesar de não saber como fazer isto.

Podemos sim, fundamentalmente, colocar responsabilidade frente às dificuldades que nos apresentem. Cada um na competência que lhe seja própria, visto que um filósofo à maneira clássica pratica a autenticidade quando assume aquilo que sabe e aquilo que não sabe.             

Divinópolis, 04 de Outubro de 2018.
Professor e Filósofo à maneira clássica
Elismar José Alves
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