Todos a postos

2020 bate à porta e, com ele, as eleições municipais. Todos já estão a postos. Prontos para o tiro ao alto. Os candidatos surgem até dos bueiros, seja para prefeito ou vereador. E já diz o ditado: “nem sempre quantidade é sinal de qualidade”. E é a isso que a população deve estar atenta. Afinal, as eleições de 2016 e a tal renovação mostraram que escolher a dedo e votar com consciência é fundamental, pois o povo divinopolitano viu e sentiu na pele que eleger qualquer um na ânsia de trazer renovação nem sempre significa melhorias. Desde a posse desta legislatura e do governo atual, Divinópolis talvez tenha amargado os seus piores anos. Executivo e Legislativo não conseguiram harmonia, como determina a Constituição Federal, e seguiram por caminhos opostos. De um lado, um governo irredutível, sem diálogo; de outro, vereadores oportunistas, que legislam em causa própria. E quem mais sofreu nesta história foram os divinopolitanos.

A cada dia a cidade ganha um novo pré-candidato a prefeito. Dos postulantes ao cargo de vereadores, então, nem se fala. Além dos 17 – que já estão em franca campanha, aliás estão em campanha desde que assumiram, em 2017 – Divinópolis tem ainda ex-vereadores loucos para voltar ao poder, e populistas que sonham com uma cadeira no Poder Legislativo e jogam até “pedra na lua” para chamar a atenção do eleitorado. Se o cenário não é dos melhores para o povo, ele é ainda pior os candidatos, que terão que enfrentar o fim das coligações partidárias. Sem sombra de dúvidas, a Emenda Constitucional 97/2017, que alterou a Constituição Federal e vedou a coligações partidárias das eleições proporcionais, vai colocar muita gente para trabalhar. Pois, só na legislatura atual, sete vereadores foram “puxados” por 10, ou seja, 10 foram eleitos pelo povo, já os outros sete foram eleitos com a sobra de votos.

Mas a verdade é que não adianta todos já estarem a postos para eleições municipais. Será preciso mostrar serviço, mostrar o que foi feito – além de vídeo e falação, pois isso não trouxe, não traz e nunca vai trazer desenvolvimento para a cidade. Para que Divinópolis volte a crescer é preciso trabalho, nada mais do que isso. Ser eleito, ganhar R$ 10 mil para sentar na cadeira e ficar só gravando vídeo chega a ser desrespeito com o eleitor. E, se exigimos trabalho dos candidatos, também será preciso cobrar, do eleitor, responsabilidade. Os divinopolitanos terão de janeiro a outubro de 2020 para fazer um exame de consciência e escolher com muito cuidado quem lhes representará nos poderes Legislativo e Executivo, para que a cidade não amargue no caos mais quatro anos.

Se, de um lado, os políticos têm responsabilidade sobre o crescimento da cidade, de outro, a atribuição chega a ser ainda maior para o eleitor, que terá em suas mãos a obrigação de escolher bons representantes. E tomara que o povo não se iluda com um vídeo bonitinho aqui, outro ali, discursinho revoltado para todos os lados, pois isso não levou Divinópolis a absolutamente nada nos últimos três anos. Que todos estejam a postos, mas para trabalhar por Divinópolis, e não para si próprios.

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