Time desfalcado

Preto no Branco

A morte de Ricardo Moreira sem dúvida é um grande desfalque de um time vencedor, mesmo em época difícil de estrutura e recursos. A gestão de Antônio Martins ‒  responsável por iniciar o desenvolvimento de Divinópolis, abrindo portas para ela ser o que é hoje – tinha um time competente em campo. Além de Moreira e outros importantes que já se foram, estão vivos ainda para contar estas importantes conquistas José Elísio Batista, José Reis Saleh, Inácio Vasconcelos, Anésio Ferreira, Maria Ângela Sena, Ênia Azevedo e Rui Tavares. Turma igual a essa, como os Griôs que levam a história da África de geração em geração, certamente Divinópolis não terá nunca mais. Quem quiser aproveitar para conhecer o passado desta cidade com riqueza de detalhes, contado, ainda há tempo. E vale muito a pena. Só quem já conversou com um deles sabe do que estou falando.    

Deixou legado 

Além de tantos outros feitos que não caberiam aqui neste espaço, Ricardo Moreira foi responsável pela implantação do cadastro técnico na Prefeitura de Divinópolis em  1974/76. Não é à toa que sabia “de cor e salteado” todo o espaço físico/territorial e urbanístico de Divinópolis. Por isso e muito mais foi homenageado pelo presidente da Câmara, Eduardo Print Jr. (PSDB), no livro História de Divinópolis. Nele, ganhou o título de “Uma Enciclopédia Viva''. Méritos para o vereador que não poderia ter feito melhor escolha e deu a ele a oportunidade de ter visto a homenagem ainda em vida, pois, infelizmente, no Brasil, as pessoas só têm seu devido reconhecimento depois de mortas, o que torna a causa praticamente inútil. É bacana para os parentes, sem dúvida. No entanto, o ideal é que o próprio homenageado tenha a oportunidade de saber que teve seu trabalho reconhecido. Mesmo que tenha sido apenas por um instante ‒ visto que teve um mal súbito no momento em que recebeu o livro com a dedicatória –, sem dúvida, Ricardo Moreira ficou imensamente feliz e morreu com a certeza de que deixou um legado. 

Pau a pau 

Ao abrir cadastro para as pessoas nascidas em 1969, ou seja, com 52 anos, a Prefeitura de Divinópolis não deixa em nada a desejar na vacinação, quando comparada a Belo Horizonte. Na capital dos mineiros esse público é vacinado se estendendo para o de 51 e 50 ainda nesta semana. Com a chegada dos imunizantes nesta segunda, é bem provável que aqui o processo seja o mesmo. E, se a Semusa fizer como na semana passada, é provável que o avanço seja ainda maior ‒ situação que coloca a cidade bem à frente da projeção de grupos para a imunização feita pelo Governo do Estado. Balanço mostra que foram aplicadas 111.950 doses, 80.759 da primeira e 31.191 da segunda ‒ o que significa que estamos caminhando para metade da população vacinada. Um alívio por dois motivos: o primeiro é que os números da doença insistem em crescer; o segundo é que este é o único caminho, por enquanto, contra esse inimigo invisível. 

Em escalada

O aumento na vacinação, ainda bem, casa com o momento, infelizmente, do crescimento dos números da doença na cidade. Estatística apresentada na reunião do Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19, na última quinta-feira, mostra que a microrregião saltou de 19 para 27 pontos, oito a mais na taxa de incidência.  Com a macrorregião não foi diferente ‒ foi de 29 para 30 pontos, beirando a pontuação da onda roxa. Divinópolis permanece na onda vermelha e a Prefeitura promoveu algumas mudanças por meio de uma nota explicativa explicada em detalhes em reportagem da página 3 desta edição ‒ mais uma prova de que, neste momento, a vacinação apenas não é suficiente para a prevenção ao vírus. As medidas precisam ser seguidas à risca, caso contrário, o risco de uma nova regressão de onda nos próximos dias é grande.  E, mais uma vez, as pessoas de bem que cumprem as determinações e precisam trabalhar vão pagar pela irresponsabilidade de centenas de egoístas que não têm amor nem à própria vida. 

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