Têxtil Revolution



BLOCO DE MODA

Wagner Penna

TÊXTIL REVOLUTION

 A indústria têxtil foi a pioneira na implantação da sociedade industrializada, com a referência histórica mais importante acontecendo na Inglaterra no fim do século 18. A capitalização, em razão desse processo, abriu investimentos para outros setores e passamos a viver uma nova sociedade – na qual a produção em massa criou o consumismo, riquezas e por aí afora. 

 Constantemente fala-se em “novo ciclo industrial”, mas, na realidade, no setor têxtil os avanços vêm acontecendo de forma muito gradativa, agregando tecnologias de forma lenta. As exceções ficam por conta das novas matérias-primas ou da velocidade de fabricação e tecidos. Nos confeccionados, o ritmo dos pespontos nas máquinas de costura é quase o mesmo de 100 anos atrás.

 Pois, agora, a China oferece algo que, ao que tudo indica, será realmente um grande passo para o setor. Eles acabaram de anunciar a invenção de um produto têxtil (ao qual deram o nome de Janus), usando a nanotecnologia para aplicar polímeros que tanto podem refletir o calor, quanto absorver o calor solar. Basta virar a roupa pelo avesso e o usuário se proteger do frio ou se aliviar do calor. Sem contar que ainda gera energia para o celular.

 Com essa oscilação controlada na temperatura que envolve o corpo humano, acabam-se coleções sazonais, diminui-se a produção excessiva de roupas (grande problema ambiental) e será otimizada a produção mundial de vestuário. Enfim, uma revolução no setor. Não seria exagero dizer que esse avanço dos chineses pode ter a mesma importância que a industrialização da trama têxtil teve para o mundo – como fizeram os ingleses há 300 anos.

VAIVÉM

 

  • A primeira quinzena de maio começou com o povo da moda agitado. Enquanto em São Paulo os salões Casamoda e Contemporâneo lançam o verão 2022 de grifes importantes (15 a 17), no circuito do Prado, em Beagá, muitas marcas também lançam o pré-verão em 2022 em seus showrooms. Um dos mais importantes foi o do estilista Victor Dzenk, que marcou também a inauguração do Studio AA | Azevedo Adot, em que ele apresenta sua moda junto com algumas marcas argentinas ‒ trazidas de Buenos Aires pelo Thiago Pinheiro e o Laurêncio Adot. Sucesso! 

 

  • O avanço do e-commerce no setor de moda foi o mais significativo durante o período da pandemia medido até agora. Ficou com mais de 16,6% de todas as vendas setoriais. Se juntar com o de beleza, vai mais longe ainda – pois esse segmento abocanhou cerca de 15,2% de todo o e-commerce nesta fase.

 

  • PONTO FINAL. Já que a coluna hoje está falando de novos materiais na área têxtil, há de se registrar que a invenção do couro feito a partir da casca de abacaxi (sim, isso existe) foi premiada como o principal troféu para criatividade, por cientistas europeus. Dizem que, se aproveitada toda produção descartada de cascas nas plantações mundiais de ananases, 50% da produção de couro de animais poderia ser substituída. A responsável pelo avanço é a Pinatex, de origem espanhola, mas sediada no Reino Unido. Amém!

 

Legenda/ High-tech têxtil na Byblos

 

Foto: Reprodução

 

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