Teste de fogo

Editorial

Em pouco mais de sete meses no comando do Executivo, o prefeito Gleidson Azevedo (PSC) terá o seu primeiro pedido de impeachment protocolado na Câmara. Avesso à “politicagem”, como gosta de dizer em suas gravações, Gleidson dependerá agora, única e exclusivamente, da “política”, que tanto diz abominar. O pedido, ao que tudo indica, será protocolado nos próximos dias pelo Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Oeste (Sintram). A solicitação tem como base a possível improbidade administrativa pelo descumprimento da lei do gatilho salarial, não concedendo o reajuste anual aos servidores municipais. 

Além de estar, neste momento, 100% dependente da “velha política”, a responsabilidade de o prefeito conseguir terminar o seu mandato recai nos ombros do líder de governo, Edsom Sousa (CDN). Quem acompanha a política local de perto viu as infinitas articulações que foram necessárias no Poder Legislativo diante dos inúmeros pedidos de afastamento protocolados contra o ex-prefeito, Galileu Machado (MDB). Se uma coisa não falhou ao vereador Eduardo Print Júnior (PSDB), líder de governo à época, foi trabalho para que o então chefe do Executivo terminasse o seu mandato. 

Adepto aos vídeos carregados de paixão nas redes sociais – em alguns, ele chega a incitar a população contra os parlamentares – a grande questão é: uma gravação resolverá o grande problema que Gleidson tem agora? Afinal, o futuro de seu cargo está sob o poder dos 17 vereadores, e não do povo. Digamos que a “coisa ficou feia”. Gleidson está nas mãos de seu líder de governo, que vai mostrar também se tem poder de articulação ou não, e dos parlamentares que, segundo ele, fazem parte da “velha política”. É como dizem por aí: demorou até demais. O prefeito e a vice-prefeita conseguiram se colocar nas mãos dos vereadores. A situação nos faz questionar também: Edsom Sousa conseguirá barrar o andamento do pedido na Câmara? Pois quem acompanha a política local já percebeu a resistência de alguns parlamentares quanto à atual administração. 

O recesso parlamentar termina na próxima semana e o retorno promete ser “quente”. Enquanto isso, Divinópolis segue com os seus problemas. Enquanto os ditos “representantes do povo” não conseguem dar um passo sem uma polêmica, sem criar mais um problema, a cidade segue parada à espera de representantes que levem a sério o cargo para o qual foram eleitos. Agora, o “bicho vai pegar” e talvez o prefeito veja que é mais do que necessário andar em harmonia com o Poder Legislativo para que Divinópolis dê pequenos passos rumo ao progresso. Talvez este pedido de afastamento seja necessário para que Gleidson e Janete percebam que uma “andorinha não faz verão”. E que, apesar de eles e a “nova política” não gostarem, para que uma cidade evolua, é necessário ter articulação e diálogo aberto com todos e para todos. 

Afinal, não são eles mesmos que dizem “Divinópolis agora tem prefeito”? Pois então...

 

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