Terraplanismo moral

Domingos Sávio Calixto

O querido da mídia, inatacável e inatingível “chicago boy” Paulo Guedes é uma espécie de corretor favorável aos interesses estadunidenes, um agente a  serviço das  grandes corporações no mercado financeiro. Basta conferir seu currículo desde a formação pela Universidade de Chicago, ou sua passagem pelo Chile de Pinochet, ou mesmo conferindo as obscuras (?) forças que o introduziram no atual governo.

Ocorre que o dito ministro intermedium – confirmando seu lastro – declarou no Twitter, em conta oficial do Ministério da Economia (@MinEconomia, em 5 fevereiro de 2021) que o peso do estado é muito grande e que vai “tirar o Estado do povo brasileiro”. Esclareceu o ministro (?) que a ordem de desmantelamento veio do “corrupto do ano”, conforme título já confirmado internacionalmente.

Ora, isto é um assalto ao próprio povo brasileiro! Em que mundo o ministro vive? Claro que em um mundo de bilionários exploradores da miséria, para não dizer (que são) os próprios geradores dela.

Depois de subtraído o estado, ele será entregue a quem? A especulação financeira vai pagar os altíssimos salários do Judiciário, do Legislativo e do Executivo? A especulação financeira vai arcar a corrupção que ela mesma produz para garantir a maximização dos seus lucros? Se isso acontecesse, até que não seria um mau negócio, mas ‒ além disso ‒ quem iria arcar com a educação, a saúde, a previdência, a propriedade e a segurança? É um anarcocapitalismo? E os impostos? Direcionados para movimentar o mercado e as grandes corporações, sem retorno algum? (...)

Socorro! Onde se acha uma delegacia planetária? Onde se encontra a polícia universal? Há que se pedir providências urgentes contra esse crime organizado roubando (do) o estado com a total conivência das instituições que deveriam, constitucionalmente, garantir-lhe ao mínimo. Que pesadelo sem fim!

Claro que essa alegação de “estado grande demais” não passa de grotesca conversa fiada do mercado para escamotear e desestruturar de vez esse mínimo de socialização dos vulneráveis. De que estado gigante se fala no Brasil? Onde está a educação de qualidade e os professores valorizados? E a saúde? Onde estão os médicos das famílias? Onde estão as vacinas? E as casas? Policiamento com dignidade? E as torturas penitenciárias? Qual o preço do combustível? E a aposentadoria das pessoas? Há que se repetir: pura conversa fiada de estelionatários do capitalismo que NUNCA, NUNCA (!) concederam um único direito social qualquer. TODOS os direitos sociais foram conquistas históricas em momentos de notória mobilização puramente popular.

Não existe nenhum estudo comprovando que o estado brasileiro seja gigante, a não ser pelos seus notórios e (re) conhecidos sanguessugas de sempre. 

Sob esse aspecto, basta conferir os países com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do planeta como Noruega, Finlândia ou Dinamarca. Ficarão (emos) estarrecidos em conferir que em tais países quase metade da população trabalha nos serviços públicos, ou seja, há um estado verdadeiramente social, e não para sustentar bancos privados, igrejas monetárias, fortunas amigas ou sonegadores de larga monta. Cáspite!

 

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