Tendência de estabilidade

Editorial

Depois de longas e angustiantes semanas, o Brasil parece enfim poder respirar um pouco aliviado. O país entrou nesta semana no que os especialistas chamam de “tendência de estabilidade” ‒ registrou 1.553 mortes por covid-19 e totalizou neste domingo 373.442 óbitos desde o início da pandemia. Segundo especialistas, em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de +7%, indicando tendência de estabilidade nas mortes decorrentes da doença. Em Divinópolis foram informadas ontem seis mortes incluindo os números do fim de semana, sendo duas no sábado, duas no domingo – outras duas são referentes aos dias 8 e 11 de abril – totalizando 299 vidas perdidas para o vírus na cidade. 

Apesar de o momento apontar uma leve esperança de que a situação se estabilize, é de suma importância que a população não interprete os dados como o fim da pandemia, pois foi este mesmo comportamento adotado no ano passado que trouxe a este abismo e foi responsável por bater recordes de mortes, casos confirmados e suspeitas da doença. A estabilidade dos casos apenas tirará a “faca do pescoço” do sistema de saúde e poderá trazer algumas flexibilizações para que a economia caminhe, mesmo que devagar, rumo à retomada. Mais uma vez, a situação chama o brasileiro à realidade e à responsabilidade. Para que essa estabilidade chegue, perdure e a retomada da economia aconteça é necessário que cada um faça a sua parte. 

Para se ter o mínimo de esperança de que seja permitido ter o início de liberdade será preciso que a sociedade faça a sua parte e cumpra o papel que lhe cabe. Já está mais do que provado que brigar, protestar, ameaçar, xingar e intimidar não funcionam. Isso não reabre comércio. O que faz com que isso aconteça são índices epidemiológicos, que só melhoram com o comportamento do povo. Para se ter uma pontinha de esperança é primordial que cada um cumpra a sua parcela de responsabilidade. Só vacinação não resolve, é necessário que os protocolos de prevenção continuem sendo cumpridos, para que uma terceira onda não atinja o Brasil mais uma vez, pois de nada adianta se todos não forem na mesma direção: o fim da pandemia. Não adianta X ou Y cumprirem todos os protocolos, enquanto Z vive como se não houvesse uma pandemia do lado de fora. 

Falar sobre isso chega a beirar ao ridículo, afinal, estamos nessa há mais de um ano e as medidas estão mais do que explicadas, e suas eficácias também. Mas ainda se faz necessário repetir, repetir e repetir, para que se alcance a “tendência de estabilidade” e se possa sonhar com notícias e dias melhores, então, continuaremos aqui repetindo para que cada um cumpra a sua parte. Apenas sentar, postar textão na internet, apontar o que um ou outro deve fazer não adianta. Se não formos juntos na mesma direção, a “tendência de estabilidade” será apenas uma chuva de verão. Além de desejar e torcer para que tudo volte ao normal, é preciso agir, mostrar que a estabilidade só é possível se todos estiverem unidos no mesmo propósito ‒ do contrário, tudo será em vão.

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