Temperaturas baixas podem facilitar contágio de doenças respiratórias

Paulo Vitor Souza 

Os mineiros já sentem as baixas temperaturas que chegaram com mais força nos últimos dias. O outono, com cara de inverno, é o responsável pelos dias ensolarados e noites geladas. O fenômeno acontece por causa da massa de ar polar que encobre quase todo o território nacional, fazendo com que muita gente tire os agasalhos do guarda-roupa. Em Minas Gerais já teve cidade registrando temperatura abaixo de zero.

Divinópolis

A região Centro-Oeste também já viu os dias amanhecerem gelados. Em Divinópolis, na última semana, a temperatura se aproximou da casa dos cinco graus. De hoje até o fim da semana a promessa é de mais temperaturas amenas. Nesta manhã, por exemplo, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a mínima registrada foi de aproximadamente nove graus entre as 6h e 7h. Para o resto da semana, estão previstas temperaturas na casa dos 15 graus.

Doenças 

Com a chegada do outono e com as temperaturas mais baixas, cresce o número de atingidos por doenças respiratórias como gripe, resfriados e alergias respiratórias. Neste ano, o cuidado precisa ser redobrado por causa da pandemia do coronavírus. A maior incidência de doenças respiratórias durante o inverno e outono é explicada, entre outros fatores, pela instabilidade da umidade relativa do ar. Segundo estudo da International Journal of Preventive Medicine, as razões para o aumento de infecções respiratórias acontecem devido à baixa movimentação das pessoas, que tendem a ficar em ambientes mais fechados e sem ventilação adequada, o que proporciona a movimentação de vírus. Outro fator que pode contribuir para doenças é a diminuição das atividades físicas e deficiência na alimentação, o que pode provocar baixa na imunidade do indivíduo. 

Gripe x resfriado x covid-19

Umas das grandes preocupações do momento é o risco de contágio pelo coronavírus, que já vitimou milhares de pessoas pelo mundo. Por também se tratar de uma doença do aparelho respiratório, a covid-19 pode apresentar sintomas bem parecidos aos de gripe, por isso a importância nos cuidados.

O médico Flávio Antônio Marcelino explica que, neste ano, uma das vantagens na prevenção de doenças respiratórias é a adoção de cuidados em relação ao coronavírus. Segundo ele, o uso da máscara e cuidados de higiene podem prevenir tanto o coronavírus quanto outras doenças. 

— Neste ano temos um porém diferente, que é a pandemia, e o que expõe mais as pessoas, não só ao coronavírus, mas a outras doenças é a frequência em aglomerações, locais fechados e transporte público. E nós temos uma vantagem que é o uso da máscara, que teve uma boa recepção por parte da população em geral — explicou.

Flávio Antônio explica que os cuidados adotados na pandemia podem ocasionar uma queda no número de doenças respiratórias, já que o uso da máscara pode evitar o contágio de gripe e de outras doenças do período.

— Os cuidados com a covid-19 são os mesmos para todas as doenças respiratórias, que são transmitidas através de gotículas que são expelidas pela fala, espirro ou tosse. Então estes cuidados trazem esse efeito colateral positivo, que é a higiene com relação às doenças em geral. De agora para frente, acredito que o uso da máscara vai ser adotado mesmo após a pandemia, como é adotado em caráter de rotina como no Japão, Coreia e outros países — aponta o médico.

Ainda segundo ele, a possível relação entre o tempo frio e o contágio do coronavírus não vem se confirmando se consideradas regiões tropicais em que a taxa de contágio é grande atualmente.

— Inicialmente se achava que países tropicais como Brasil e países da África levariam grande vantagem contra o coronavírus por serem países mais quentes, mas não foi isso que vimos na prática. Vimos o Rio de Janeiro, Manaus, Belém, que são cidades bem quentes e que estão em pico, com maior número de casos. O calor, no caso da covid, pode ter pouca influência — ressalta.

Exercícios e alimentação 

Embora ainda prevaleçam as medidas de isolamento e distanciamento, o exercício físico não pode ser deixado de lado. A alimentação saudável também é um dos fatores que precisam ser considerados neste tempo mais frio. O médico apresenta algumas alternativas.

— A doença é transmitida pelo ar e contato. As pessoas devem fazer manter as atividades físicas nem que sejam realizadas no espaço interno de casa. Mantendo a distância de dois metros das outras pessoas e usando a máscara é possível realizar os exercícios como em áreas abertas. O que não podemos é usar a pandemia como desculpa para não fazer atividades físicas. Eu tenho recebido notícias de pessoas que caminham cinco mil metros dentro de casa — disse.

A época do frio traz os famosos caldos quentes que, segundo o médico, podem ser consumidos como uma forma de se manter aquecido e saudável.

— Agora é hora de abusarmos de caldos quentes, chás e coisas para aquecerem o organismo durante o inverno. Outro cuidado é o uso dos cobertores, porque uma friagem à noite pode abrir as portas para uma infecção respiratória. Outra dica que eu dou é o escalda-pés, colocar um balde grande cheio de água quente e depois colocar meia, isso ajuda muito. E, por fim, o própolis, podendo ser usado em umas sete gotas ao dia, e o gengibre, estes aquecem o organismo — finalizou.

 

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