Tem que doer no bolso

Editorial 

Sempre foi hábito do brasileiro desobedecer regras. Agora, virou moda, só pode. Já faz parte da rotina de muitos municípios, como Divinópolis, leis ou decretos feitos exclusivamente para quem acha que é livre para fazer o que quiser onde vive. Não é raro a imprensa publicar determinações como: “proprietários de lotes que não limpá-los serão multados” ou “Quem for pego colocando fogo em terreno ou denunciado por vizinhos, terá que desembolsar tanto em multa”. Chega a ser cômico, se não fosse trágico. Por que, mesmo sabendo que é errado, as pessoas insistem em fazer? Falta conhecimento, entendimento sobre as consequências ou vergonha na cara? Vai muito além disso: falta amor ao próximo. Ou seja, se não me prejudica, que se dane o outro. Poderia tanto ser diferente. Seria muito, mas muito melhor para todo mundo.

Enquanto isso não acontece, infelizmente é preciso prevalecer um ditado que cai como uma luva para o brasileiro: “Se não vai por bem, vai por mal”! Significa para esta nação miscigenada que, como não faz da forma adequada, paga e, muitas vezes, caro por suas ações. Não judicialmente falando, pois com a fragilidade das nossas leis, o máximo que acontece é a pessoa comparecer a duas audiências e depois fazer um trabalho voluntário qualquer. E nem de forma moral, a ponto de andar na rua com a cabeça baixa, visto que se tem uma coisa que a maior parte da nossa população não tem é vergonha na cara. Paga da forma que dói mais do que sua consciência: com dinheiro. Se tem uma coisa que funciona no Brasil é isso.

A pessoa pode tolerar tudo, mas não mexe no seu bolso. Esta é a única forma de se por limites nesse povo que se diz civilizado. E sem nenhuma necessidade, pois as regras existem para serem cumpridas. Para serem, mas não são. Com a pandemia do coronavírus, então, a coisa escancarou de vez. E olha que se trata de situação gravíssima de saúde pública. O tal de usar máscara parece coisa de outro planeta. Para a pessoa não se contaminar ou fazer o mesmo com quem tiver contato tem que ser sob ameaça de multa. Ao contrário, sai por aí como se nada estivesse acontecendo. E, mesmo assim, tem muita gente que insiste em não obedecer e, quando é cobrado, “vira bicho”. O que aquele desembargador de São Paulo – não é primeiro,  vale ressaltar – fez com o guarda que apenas cumpria seu dever é inaceitável.

Sujeito arrogante que deveria dar o exemplo de como se cumpre determinações, mas faz totalmente o contrário. Isso porque o agente apenas pediu que ele colocasse a máscara de proteção enquanto caminhava na orla da praia. O desembargador recusou a orientação e pior: embolou o papel da multa e jogou no chão. Disse que o decreto sobre a utilização do item “não é lei” e que, por isso, não obedeceria. Fica a indagação: quem ele pensa que é para tamanho desrespeito e idiotice? Não tem nem resposta. Não custa lembrar que existem alguns profissionais por aí que acham Deus, outros têm certeza. Na verdade, não passam de um bando de iludidos que não foram ou não são amados e, por isso, são incapazes de amar. Que uma punição severa lhe seja aplicada e sirva de lição para os demais que se julgam capazes de não respeitar os direitos do próximo, mesmo sabendo que o seu acaba onde começa o dos outros. 



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