Taxistas de Divinópolis reagem à concorrência e lançarão aplicativo

 

Gisele Souto 

Uper 7, Uber ou outro semelhante. Bem, o nome não importa. Qualquer um que trabalhe com o transporte de passageiros vem tirando o sono de muitos taxistas do país. Em Divinópolis, não é diferente. Os dois serviços começaram a funcionar na cidade no ano passado e, de lá para cá, travam uma concorrência acirrada com os profissionais da cidade. Ao todo, são pelo menos 86 taxistas, distribuídos em vários pontos da região central, alguns bairros e na rodoviária. Porém, de uns sete meses para cá, estão perdendo serviço por causa da concorrência, chamada por eles de “ilegal”.

A reportagem conversou com taxistas e todos foram unânimes em afirmar que é “desleal”, especificamente por causa dos preços, que, em alguns casos, eles afirmam custar menos da metade. É o que revela Arailton Dionízio, que trabalha em um ponto na avenida 1º de Junho. Na profissão há cerca de um ano e meio, conta que tem visto no dia a dia uma corrida que costuma custar R$ 30 em um táxi sair por R$ 12 pelo Uber, por exemplo. Hélio Henrique da Silva divide a mesma opinião. No ramo há 18 anos, diz considerar uma falta de respeito “esta concorrência desleal”.

— As despesas são muitas, com valores exorbitantes. Para se ter uma ideia, somente pelo aluguel do ponto pagamos cerca de um salário e meio, fora combustível, vistoria de seis em seis meses e outros. É desanimador — resume.

A solução?

Numa tentativa de amenizar a situação, os taxistas da cidade, com o apoio do sindicato da categoria, vêm trabalhando há aproximadamente dois anos para desenvolver o aplicativo Divitaxi, previsto para entrar em atividade em cerca de um mês. Para participar do projeto, o profissional precisa se cadastrar. A ideia caiu no gosto da maioria, já que, segundo os profissionais ouvidos pela reportagem, cerca de 70% da categoria já aderiu. Eles esperam que a medida engrene e os ajude a reconquistar o espaço que já pertenceu só a eles.

— Penso que deveria ser uma exigência para que todos participem. Afinal, a maioria é pai de família e precisa trabalhar. Nós, que já entramos desde o início, esperamos que a adesão seja de 100% —  sugere Hélio Henrique.

Um dos coordenadores da iniciativa, o taxista Thiago Rios explica que o aplicativo ainda está em fase de adaptação e testes. Ele acredita que, até o Divitaxi entrar em operação, todos os profissionais já estejam cadastrados.

Tecnologia

Thiago Rios nega que o objetivo do Divitaxi seja concorrer com os outros carros que transportam passageiros por este método. Ele explica que o foco é no jovem, que atualmente não faz ligações e resolve tudo por meio de aplicativos no celular.

— Acreditamos que, muitas vezes, o público mais jovem usa os serviços dos concorrentes por causa desta facilidade. Esperamos nos adaptar o mais rápido possível para atendê-los de forma pontual — explicou.

Regulamentação

O polêmico projeto para regulamentação do transporte coletivo por aplicativo estava previsto para ser votado ontem à tarde, na Câmara Federal. Porém, até o fechamento desta página, por volta das 17h, não constava nenhuma informação sobre a apreciação ou não da matéria na Casa.

O projeto voltou para votação depois de sofrer modificações no Senado. Após ser votado em plenário, o texto seguirá para sanção presidencial.

Os deputados têm a prerrogativa de referendar modificações feitas pelos senadores ou rejeitá-las.

 

 

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