Também somos responsáveis

Uma jovem de 19 anos, estudante de fisioterapia, teve a vida brutalmente interrompida no dia 24 de setembro. Mariana Bazza levantou em uma terça-feira, como qualquer outra, foi para a academia com uma amiga e saiu de lá por voltas das 8h. Enquanto a colega saiu do local de moto para o trabalho, Mariana dirigiu-se até seu carro e notou que o pneu estava murcho. A falta de sorte de Mariana foi precisar de ajuda. A universitária aceitou o auxílio de Rodrigo Pereira Alves e mal sabia que aquilo lhe custaria muito caro. A jovem chegou a tirar uma foto do homem trocando o pneu de seu carro e mandou para o namorado. Segundo ele, Mariana não parecia estar com medo do homem. Muito pelo contrário, ela riu da situação. No dia seguinte, 25 de setembro, a jovem foi encontrada em uma cova rasa, com as mãos amarradas atrás do corpo, e amordaçada.

Ao que tudo indica, Rodrigo a matou a facadas e abusou sexualmente dela. Hoje, quase 20 dias depois do crime, Mariana é apenas mais uma na estatística do governo. Governo que falha todos os dias nas políticas de segurança pública e de proteção à mulher, pois Rodriguinho, como é conhecido, estava preso até pouco menos de um mês atrás. Ele tem passagem por furto, extorsão, tentativa de latrocínio contra uma policial civil, estupro e outros delitos. Ao todo, passou 12 de seus 33 anos no sistema prisional, e estava por aí, andando livremente na sociedade. O que mais chama a atenção na ficha criminal do homem são os crimes de estupro e tentativa de latrocínio contra a policial. Diante isso, é inevitável questionar: como um homem desses estava solto? Como ele andava livremente pelas ruas de Bariri, interior de São Paulo? Como Mariana, que tinha sonhos para uma vida inteira, hoje se resume a uma estatística?

A culpa disso é somente dos governos, do Estado, dos nossos políticos? Não! A morte de Mariana e das outras milhares de mulheres que são retiradas brutalmente de suas famílias, de seus amigos, também cai nas nossas costas. Nós também somos responsáveis por estas mortes, pois nos dividimos. Criamos um abismo tão profundo que será necessário muito trabalho para que possamos nos unir e lutar contra estes crimes. Dividimo-nos entre direita e esquerda, e uma paixão política tão absurda, que não conseguimos enxergar que o dever de cobrar um estado seguro está em nossas mãos. Perdemo-nos em nossas vaidades, nossos posicionamentos políticos, nossas paixões, e nos esquecemos que política se resume a quem está dentro e quem está fora. Política não é direita e esquerda, centrão, isso é apenas uma ilusão criada para que continuemos exatamente como estamos: divididos, sem direção. Pois, quando não se sabe para onde ir, qualquer caminho serve.

Em vez de nos unirmos e cobrarmos atitudes eficientes que tornem o país mais seguro, preferimos nos perder em nossas ideologias políticas e idolatrar quem é pago para trabalhar por nós. Esquecemo-nos que cidadão de bem é aquele que não rouba, não mata, não engana, e tudo isso independe de seu posicionamento político. Esquecemo-nos que apenas a união poderá nos tirar deste abismo, que vitimiza milhares de Marianas todos os dias.

 

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