Tamanha insensatez

Preto no Branco

Sinceramente, faltam adjetivos para nomear as atitudes de certas pessoas neste que é o pior momento da pandemia do coronavírus. As cidades estão regredindo de onda, os hospitais já não têm mais vagas, centenas de pessoas perdem a vida todos os dias e os irresponsáveis continuam se aglomerando em festas clandestinas. Belo Horizonte fechou mais uma vez por tempo indeterminado, sacrificando a economia e tirando o emprego de dezenas de pais e mães de família. Enquanto as pessoas de bem que pensam no próximo ficam em casa na capital, a poucos quilômetros dali, irresponsáveis realizavam um baile funk clandestino na madrugada deste domingo em São Joaquim de Bicas, na Região Metropolitana. A baderna de alto risco (em todos os sentidos) só foi interrompida com a ação da Polícia Militar. Ao chegar à festa, chamada “Revoada dos menor”, houve correria e 100 pessoas foram detidas. Um jovem de 20 anos, que seria organizador do evento, foi levado para a delegacia. Até quando? O que falta mais acontecer para esse tipo de gente cair na real?

Obrigação é de todos

Alguém precisa avisar, para insensatos e desprovidos de amor como este, que a doença está matando não somente idosos. Pessoas da idade dele e pouco mais velhas estão perdendo a vida, muitas vezes, por falta de leitos. Ou, ainda, que mesmo que ele não morra ou não tenha complicações graves, ele e seus apoiadores podem se tornar assassinos de um membro de suas famílias ‒ se é que para eles isso tem alguma importância. Tomara que não seja assim, caso contrário, não há governador, prefeito, polícia, lockdown e toque de recolher que dê jeito nesse vírus. Porque não adianta um fazer a sua parte, enquanto outros fingem não enxergar o caos que estamos vivendo.

Passou da hora 

Caminhando para um descontrole, como já ocorre em algumas regiões de Minas Gerais e dezenas de municípios, a Prefeitura de Divinópolis já trabalha com a possibilidade de multar quem não cumprir as determinações publicadas ontem em decreto. Uma delas, o uso da máscara, que muitos ignoram. E não está errada. Aliás, já passou da hora. É exatamente por causa de gente assim que as cidades chegaram a este ponto. Infelizmente, o brasileiro é tão folgado e mal-acostumado que só toma rumo se doer no bolso. Conscientização e pedidos de socorro costumam entrar em um ouvido e sair no outro. A ajuda da polícia será maior nas ruas e as ações de fiscalização serão intensificadas ‒ se bem que poderia ir até mais além: atrevidos reincidentes tinham que ser presos. Quero ver aglomerar e bater perna na rua à toa dentro de uma cela. Quem sabe assim não aprende a respeitar e entender que o seu direito começa, onde termina o do outro!

Precisa ajudar 

Vale lembrar que, para tudo isso dar certo, a participação da comunidade é crucial.  Não adianta fazer decreto, fiscal ir para rua, contar com o apoio da polícia, se a população não fizer sua parte. Não é segredo para ninguém a deficiência de pessoal na Prefeitura para exercer este tipo de trabalho. Exemplo disso é que foi preciso um grupo de voluntários ajudar na última investida de orientações a comerciantes em Divinópolis. O grupo atual mal dá conta de fazer a fiscalização na região central, e isso é insuficiente e não gera o resultado almejado. A cidade tem atualmente cerca de 300 bairros e, em todos, pode não ter supermercado, farmácia, mas, com certeza, botecos, isso tem. Por isso, a Prefeitura pede e precisa do apoio de todos neste momento, denunciando estabelecimentos que estão descumprindo as regras. Nem a PM com todo seu contingente dá conta de chegar a todos os crimes, se não for por meio de denúncias. Portanto, este momento exige a união de todos em busca de um só objetivo: salvar vidas. Uma simples denúncia, quando se gasta menos de cinco minutos, pode impedir que um membro de sua família seja contaminado e, na pior das hipóteses, perder a sua vida. Conscientização já! 

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