Tabuleiro

Rodrigo Dias 

Tudo é questão de encaixe. A sorte de ser a peça certa, no lugar certo. Suavemente posta. Sem ser necessário perfilar, retirar as arestas para depois encaixar.

Ser a peça certa dá trabalho. É preciso esmero, entender do jogo, do tabuleiro. O problema é que nem todas as peças são iguais. Na escala de valor, umas são lançadas, simplesmente descartadas, para que outras ganhem a mão.

Não adianta conhecer todas as jogadas. Já instituíram: peão não ganha jogo. Se está tudo definido, por que falar em meritocracia?. Não faz sentido caçar o arco-íris sem a certeza do pote com moedas de ouro ao seu final.

Meritocracia, assim, é uma falácia. Mera força de expressão a maquiar a arapuca. Uns saíram antes do tiro e já apontam na linha de chegada, e tu estás aí, esperando a largada.

Mas é assim: persegue-se as ilusões. A tal recompensa pelo esforço tolo. A figura de retórica que nunca se consubstanciou. Ao “miserável”, ao manso de coração, as ilusões. O reino dos céus.

Crê no que foi descrito com capricho. Corre em círculo atrás do próprio rabo. Quando cansarem de dar risadas, batem o pé. Te assustam e partirás em disparada. Novamente sem rumo. Sem a recompensa pela pega... Do próprio rabo.

Equidade é palavra difícil. Para facilitar defendem a igualdade. Tratar por igual os diferentes é insuficiente. Igualdade não é sinônimo de justiça. Tem um hiato nessa palavra. Um “i” que sempre fica sozinho.

Então está definido: se não se deu bem no jogo é porque faltou esforço ou porque Deus quis assim. Deu azar de ser a peça errada, a que não se encaixa. Vê se conforma e não amola.

Para quê insistir na mesma sentença? É tempo de abrir um novo parágrafo, mudar de assunto. Redigir a própria história. Já tem rascunhado os próximos passos. Falta passar a limpo... Dar um “enter”.

Conformismo não é uniforme para quem deseja a vida justa. Ser a peça certa é uma questão de oportunidade. Criar oportunidades está relacionado a entender as necessidades de cada um. Em outras palavras, trata-se de equidade.

Tem muita coisa em jogo e as regras não estão claras, mas é preciso jogar. Já conhece as artimanhas. Irrita o jogador. Desfaz o jogo sujo.

Eles não suportam aqueles que não “entendem” qual é o seu lugar. Os que dobram a aposta. Os que não acreditam no blefe e retrucam.

Tomar o controle, dar as cartas. Iniciar um novo jogo.

rodrigodiascomunica@gmail.com

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