Supermercados do Centro-Oeste perdem nas vendas

Resultado de pesquisa aponta crescimento de apenas 4,64%, enquanto outras regiões subiram em média 10%

Da Redação 

O setor supermercadista mineiro encerrou o primeiro semestre deste ano com crescimento de 9,34% nas vendas. É o que aponta o Termômetro de Vendas, pesquisa mensal da Associação Mineira de Supermercados (Amis), com empresas de todos os portes e em todo o estado. 

Em junho deste ano, mês de referência da pesquisa, sobre igual mês de 2019, o desempenho do setor ficou positivo em 9,97%. Já em relação a maio, houve uma retração de 3,69%. Dados este que estão deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A diminuição nas vendas em junho sobre maio, além do fato de ser um mês tradicionalmente de desempenho mais fraco, é atribuída ao efeito calendário. Em maio, foram cinco fins de semanas “cheios”, de sexta a domingo, contra quatro em junho. 

— Abrimos o ano falando em um crescimento de 4,5% para 2020. Se terminamos o primeiro semestre com 9,34%, a expectativa é de que a meta seja superada, mas também trabalhamos com uma interrogação muito grande em relação a como será o segundo semestre, se o consumidor vai continuar tendo renda. Nós temos o auxílio emergencial do governo que pode paralisar, o seguro desemprego que é limitado e daqui a pouco as pessoas param de receber. E o que a gente conta efetivamente é com a volta à normalidade em relação à economia como um todo, comércio aberto, para que se equilibre exatamente a questão de renda e consumo — avaliou o presidente executivo da Amis, Antônio Claret Nametala. 

Mudanças de hábitos 

O desempenho em todo o primeiro semestre está ligado às mudanças provocadas no dia a dia do consumidor pela pandemia do novo coronavírus. Com o isolamento social, o consumo fora do lar se voltou para dentro de casa, tanto pelos adultos que estão em home office quanto pelas crianças, que não estão indo à escola. 

Toda a cesta de compras, especialmente de alto consumo, teve a demanda elevada nos supermercados.  Os itens comprados nos bares, nos restaurantes e em eventos, fechados desde o início da pandemia, tiveram boa parte da compra migrada para o consumo doméstico. O que elevou também a demanda por bebidas diversas, carnes e produtos afins.  

O auxílio emergencial do governo federal também contribuiu com a melhora nas vendas. Os supermercados, inclusive, buscaram se adaptar rapidamente para receber o pagamento por meio das contas digitais. Para boa parte da população, que estava desempregada, o auxílio de R$ 600 significou a volta ao consumo, mesmo que dos itens básicos.

— Este crescimento que tivemos nas vendas dos supermercados mineiros no primeiro semestre é explicado exatamente pela mudança de hábito na vida do consumidor. Nós tivemos o consumidor confinado dentro de casa, ou seja, ele se viu levado a fazer as refeições em casa e evidentemente isso refletiu nas nossas vendas principalmente nos itens básicos — disse Antônio Claret.

Custos elevados 

A expansão nas vendas não significou, no entanto, o mesmo retorno nos lucros. Conforme a associação, as supermercados, como atividade essencial, precisaram investir muito em cuidados e qualificação de pessoal para manter o atendimento à população. Aumento da higienização já muito praticada antes, disponibilização de álcool em gel em larga escala, adequação dos espaços para evitar aglomerações e equipamentos para funcionários foram algumas dessas ações de cuidados, segundo Claret

Regiões 

Na avaliação regional, os melhores desempenhos no semestre foram da região Central com o acumulado do ano ficando em 12,14%; do Triângulo/Alto Paranaíba com 10,89%, e do Sul que registrou 9,40%, sendo as regiões com destacada importância econômica no estado pelo dinamismo da economia e que têm recebido grandes investimentos em melhoria e expansão do setor supermercadista. 

Centro-Oeste 

O menor crescimento foi verificado na região Centro-Oeste, com 4,64%, onde a queda do emprego foi elevada no período, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O polo calçadista de Nova Serrana, por exemplo, teve forte redução na produção e, consequentemente, muitas perdas de postos de trabalho.  

Novos empregos e mais lojas

O segmento, no entanto, se programou e neste primeiro semestre, mesmo com todos os desafios impostos pela pandemia, continuou com inaugurações, melhorias de lojas e geração de empregos. Foram mais 20 novos estabelecimentos, com 1.861 novos postos de trabalho. 

— A pandemia trouxe uma preocupação muito grande para todos os setores  da economia.  Supermercados, como atividade essencial, se mantiveram abertos e em função do fechamento de outros canais de distribuição de alimentos tiveram um crescimento nas vendas. Mas evidentemente que o plano de expansão das empresas permanece exatamente porque estamos funcionando e o primeiro semestre trouxe algumas inaugurações e gerações de novos empregos e tomara que, no segundo semestre, isso se repita — finalizou Claret.

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