Substantivo e tanto

Corrupção, ou corrompimento, em sentido lato, corresponde à ideia de decomposição. Na esfera das relações humanas em particular, está relacionado ao subornoː[1] ato ou efeito de se corromper, oferecer algo para obter vantagem em negociata onde se favorece uma pessoa e se prejudica outra. [2] Busca oferecer ou prometer vantagem indevida a qualquer pessoa, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício, conforme o artigo 333 do Código Penal Brasileiro de 1940. Do substantivo feminino, corrupção significa “1. deterioração, decomposição física de algo; putrefação. "c. dos alimentos", 2. modificação, adulteração das características originais de algo”. Nos dicionários o sentido literal da palavra é este. Na vida real, o significado dele é outro. No Brasil, muda ainda mais.

E, se no dicionário corrupção significa deterioração, no Brasil corrupção significa filas gigantescas no Sistema Único de Saúde (SUS), seja para conseguir uma consulta, um procedimento cirúrgico, ou até mesmo a transferência para um hospital. Na vida real, corrupção significa mortes nas filas, ignorância do povo, sucateamento da educação, entre outros. Significa ainda mortes causadas pela violência também, pois não há investimento na segurança pública.  É o Estado corrupto e desorganizado lutando contra o crime organizado. E, se o crime é organizado, é claro que ele tem mais chances de sucesso do que a corrupção. O mais triste disso é que foi, e é assim, a base de corrupção em que o Brasil foi criado. O povo paga os seus impostos sobre tudo, até mesmo uma bala, porém a finalidade da cobrança não é cumprida. Há uma modificação, uma adulteração em suas características originais, e o que deveria voltar para a sociedade, se “perde” nas contas bancárias da Suíça, nas malas, nas cuecas, em aeroportos, nas contas de “laranjas”...

O Brasil está entre os dez países do mundo que mais cobra impostos do cidadão e, em contrapartida, é o que menos retorna para ele em algum benefício. A resposta para este “fenômeno” é simples: corrupção. E, se o Brasil foi criado à base de corrupção, foi por causa da população, que deixou a “coisa” correr solta. Se o país é o que é hoje, foi porque o povo apenas fingiu que se importava, que queria o fim dela e que se indignava. Mas, no fundo, no fundo, faz vistas grossas. O exemplo mais claro disso está na eleição de Fernando Collor a senador, mesmo depois do seu impeachment quando exercia o cargo de presidente. As tentativas de combate à corrupção foram várias. Ontem, 9 de dezembro, o Dia Internacional contra a Corrupção completou 16 anos, mas a sensação que se tem é que a cada dia a prática só aumenta. A data, proposta por uma delegação brasileira, foi marcada pela Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, assinada por diversos países em 2003, na cidade de Mérida, no México.

Composto por 71 artigos, o texto da Convenção é considerado o maior juridicamente vinculante de luta contra este crime, fenômeno que não é exclusivo e característico da cultura brasileira. Por atingir escalas mundiais, o objetivo da data é fortalecer o combate no mundo inteiro. Mas, talvez seja preciso mais do que isso. Talvez, para combater a corrupção seja preciso querer e também ação. E nós, será que um dia teremos o prazer de comemorar esta data?

 

 

 

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