Sopa de morcego

Augusto Fidelis

Confesso, com toda pureza d’alma: eu não sabia que morcego é algo comestível. Toda vez que surge alguma coisa que inquieta a humanidade, uma série de informações vêm à tona e a gente aprende coisas do arco da velha. Até o surgimento dessa onda de coronavírus, eu jamais poderia imaginar um prato de sopa decorado com um morcego de asas abertas e dentes arreganhados, pronto para ser devorado!

Os morcegos se dividem em duas subordens clássicas, como informa a Wikipédia: o Megachiroptera ou raposa voadora, e o Microchiroptera, o verdadeiro morcego. As raposas voadoras são os maiores morcegos do mundo, podendo chegar a dois metros de envergadura. São encontrados na África, Ásia e Oceania, se alimentam de frutas, peixes e sangue. Imagine você, caro leitor, estimada leitora, acordar de madrugada com morcego do tamanho de uma águia chupando seu sangue! Pode mandar furar a cova!

Por outro lado, um morcego desse tamanho rende muito mais do que um prato de sopa. Pode-se preparar uma boa panelada com legumes, acompanhado... Ah! Sei lá... Talvez de arroz e feijão. Os chineses são especialistas nesse tipo de culinária. Fazem ensopados de ratos, de cobras, dentre outros. Imagine: se urina de rato transmite doença, o roedor inteiro é um poço de epidemias. Inclusive, eu soube de um homem que inalou poeira das fezes de rato e morreu de hantavirose.  Pois é, quem se alimenta desses bichos têm uma dívida, uma conta a ser paga.

Segundo estudos científicos, os ratos podem transmitir cerca de 40 doenças, dentre elas: leptospirose, peste bubônica, tifo murinho, febre de mordida de rato, raiva, sarnas, triquinose, salmonelose, micoses e hantavirose. Em certos casos, são considerados pragas, com potencial para destruir até lavouras inteiras. Adaptam-se em qualquer ambiente e se reproduzem com uma velocidade incrível. Se o mundo acabar, seja em água ou em fogo, os ratos e as formigas vão sobreviver.

Também na China, se não me falha a memória, um porco ingeriu uma ave contaminada pelo coronavírus. Este, dentro do animal, de comum acordo com outros vírus que já estavam hospedados lá, se transforam no H1N1, que chegou aos seres humanos fazendo estrago.

No Ocidente, não há informações de que populações daqui e dacolá consomem carne de morcego, de cobra ou de rato, porém, é muito comum a gente ver, principalmente na internet, cidadãos e cidadãs beijando a boca de seus cães ou gatos. Infelizmente, as pessoas ignoram o modo e de onde surgem as doenças. Ora, a próxima doença que vai exterminar o desocupado e, às vezes, parte da humanidade encontra-se no beijo dado na boca do cachorro. É muita cachorrada!

augustofidelis1@gmail.com

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