Somos heróis?

CREPÚSCULO DA LEI – ANO IV – CLX

 

SOMOS HERÓIS?

 

A justiça criminal brasileira é uma das piores do mundo, talvez a pior em se levando em conta os altos salários pagos aos seus representantes para que eles não a cumpram. Essa é uma das conclusões extraídas de um projeto de estudos da justiça mundial – RULE OF LAW INDEX 2021 – no qual o Brasil ocupou a 112ª posição entre 139 países avaliados.

A posição vexatória se confirma até na América Latina com seus 32 países avaliados e o Brasil ocupando o 20º lugar. Um dos maiores descalabros foi constatado no quesito “imparcialidade”, no qual o Brasil ficou em penúltimo lugar, perdendo apenas para a Venezuela. Claro que tal posição se deve grandemente ao ex-juiz (?) que se evadiu para os EUA e retornou, bem como às práticas criminosas dos procuradores da  tal Lava-Jato, até hoje não investigadas devidamente.

A mesma pesquisa também demonstrou que o “comprometido” Legislativo nacional é o segundo mais patrimonialista do mundo, perdendo apenas para Guatemala, ou seja, o Congresso Nacional é, praticamente, o agrupamento parlamentar que mais defende interesses privados do mundo. Um vitupério! Significa que aquelas pessoas são pagas para defenderem seus próprios interesses. (...)

A questão piora ainda mais no quesito que mede os níveis de responsabilização de membros do Judiciário, do Legislativo, do Executivo e das polícias quando da corrupção e abusos. Nesse item o Brasil ocupa a 132ª posição entre os 139 avaliados, ou seja, o Brasil é vergonhosamente omisso na apuração e responsabilização dos casos que deveriam ser investigados devidamente envolvendo corruptos e violentos. 

Tal constatação coloca em debate a própria atuação do Ministério Público como fiscal da lei e da Constituição, cujo exemplo maior seria a própria omissão (?) da Procuradoria Geral da União em face de dados evidentes apresentados pela CPI da Covid, quando de um processo de mortandade que ultrapassou os 600 mil mortos.

Outro dado significativo é a 70ª posição ocupada pelo Brasil no que tange à integridade do processo eleitoral, naquilo que envolve acesso facilitado ao fato, liberdade de escrutínio, escolha livre de candidatos e intimidações de eleitores. Significa que as pessoas não possuem tranquilidade e segurança para o exercício sereno e consciente do voto no Brasil.

Ora, ao se tomar os tempos atuais pelo exemplo da pessoa que ocupa a presidência, com seus mimos e recalques mal resolvidos, que de tudo vem fazendo para destruir a República e seu aparato social, gerando necropolítica, pobreza e aparelhamento da corrupção do estado em favor da plutocracia, há que se admitir que o Brasil é um país difícil de se viver e conviver.

Poder-se-ia até concluir que “somos heróis” por sobrevivermos a isso tudo, mas lamentavelmente somos muito mais vítimas… vítimas de nós mesmos!

 

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